Quem vê cara, não vê coração… Cap. 21.

Sempre almoçávamos juntas num dos restaurantes da rede…

Quando eu aceitei o trabalho nessa rede de hipermercados fiquei orgulhosa, pois a tinha como uma das mais conceituadas empresas do ramo. Claro que este conceito se baseava na minha visão como cliente de um único hipermercado e que na verdade só ia lá quando combinávamos de almoçar eu, minha irmã e minha mãe no restaurante deste mercado na cidade delas, o qual é muito bonito, grande, bem organizado enfim, para consumidores de classes A e B.

Então, quando nós vivemos uma experiência, em nossos cérebros ficam registradas impressões as quais, todas as vezes em que vivemos novamente algo relacionado àqueles fatos, essas impressões tendem a se sobressaírem, ligando o novo fato ao fato antigo devido as sinapses que nosso cérebro faz, ou seja, para mim toda a rede era igual em qualquer lugar do país e a farmácia que eu iria trabalhar era também classe A…

O que ocorreu é que eu não queria enxergar que aqui nesta cidade, as coisas não eram bem assim e ignorei os sinais  vermelhos (também chamados intuição) que recebi desde o início do trabalho, quando fui avisada de última hora que iria começar a trabalhar no dia seguinte, tendo que me desbancar de uma cidade para outra “desarvorada” pois fiquei aguardando quinze dias o contato do RH  para assinar o contrato e ninguém sequer se manifestou, fazendo somente na última hora. Tudo bem que quando vamos trabalhar temos que ficar de sobreaviso, mas o respeito ao profissional tem que ser equivalente ao respeito do mesmo pela empresa.  E olha que um dos lemas de lá é: Respeito ao indivíduo, coisa que não tive o prazer experimentar na minha vivência profissional, não só comigo, mas com  todo o seu staff, que trabalhava descontente, mal humorado, sem treinamentos e consequentemente sem trato para com o cliente que por consequência, estava sempre insatisfeito.

Protecionismo, sobrecarga de trabalho, desvio de função, sujeira, desorganização, atraso de pagamentos e dias trabalhados, que além de todas as nossas atribuições, tínhamos que ficar correndo atrás de nossos direitos; líderes (chefes) sem capacitação e despreparados, disse-me-disse de funcionários, até alimentos com corós (larvas) eu vivenciei ali ( a atendente do meu horário chegou a comer um tadinha, eu graças a Deus vi antes, eca!). O alimento que nos proporcionavam no refeitório no mínimo me dava diarreia, sendo que tive que parar de me alimentar lá e passar a comer lanches todos os dias…

O trabalho do farmacêutico em drogaria já é um trabalho estressante. Convivemos com pessoas doentes e fragilizadas que chegam até nós buscando além do seu medicamento, uma atenção e um carinho devido a sua condição de saúde, então acabamos por exercer vários papéis profissionais, tendo as vezes que passarmos por médicos, psicólogos, amigos, pais, confidentes, fazer a nossa própria função que é a orientação do uso adequado de medicamentos e mais a parte interna e burocrática, que vai desde dar entrada no sistema das notas fiscais de medicamentos, verificar e planilhar as datas de validades, pensar em estratégias de atrair clientes, cuidar com medicamentos controlados (que para quem não sabe, podemos ser presos caso haja alguma irregularidade no armário) e mais a pressão que nos é imposta para aumentarmos as vendas.

Os dias foram se passando e meu cansaço aumentando devido a todo trabalho imposto, e ali ninguém tinha uma função específica, ou seja, todos faziam tudo ( e tudo ao mesmo tempo), imagina eu que sou toda metódica, detesto que mexam nas minhas coisas ter que conviver todos os dias com notas fiscais que uma hora eram colocadas num lugar, outra hora não se achavam mais em lugar nenhum, e nunca ninguém sabia. As coisas ali dentro tinham vida própria pois se escondiam e ninguém mais as achavam, e junto com toda essa desorganização, ainda o sobe e desce da escada para pegar os malditos pacotes de fraldas que ficavam “no andar superior” dos armários e fora as tais “ações” que tínhamos que fazer aos sábados para aumentar as vendas (que nem vou falar disso pois seria mais um post e esse já ficou longo demais).

Eu não conseguia fazer mais nada, só ia do trabalho para casa e da casa para o trabalho, pois meu cansaço era tanto que eu só conseguia chegar, desmaiar em cima da cama e navegar na internet em alguma coisa que me tirasse o foco daquele inferno. Trabalhava com uma única calça jeans que eu ia a semana toda, um tênis preto horroroso no pé, meu cabelo sempre molhado preso com um coque ou então sujo sem lavar a semana toda, enfim, sem nenhum estímulo para cuidar da minha aparência.

Todos os dias eu levantava e pensava, hoje peço a demissão, mas chegando lá eu me continha pensando no dinheiro e em toda a mudança que tinha feito na minha vida para estar ali e ainda as vozes interiores de desvalor que me diziam: Você é ingrata, quantas pessoas queriam estar no seu lugar?  Acho que se alguém pudesse saber antes de entrar, nenhuma escolheria estar ali, pois todos que saem dessa empresa, saem processando e isso não é um caso endêmico, é epidêmico mesmo, ou seja é a nível nacional (Fontes seguras).

Trabalhávamos em cinco funcionários na farmácia e em junho deste ano, a farmacêutica intermediaria saiu, acarretando ainda mais funções para mim, que fazia já o horário de maior fluxo de movimento, que é o vespertino-noturno, ou seja, além de tudo eu ainda pegava o vuco-vuco, e depois a atendente da parte da manhã saiu de férias, o que me fez mudar meu horário para cobrir o almoço da RT (farmacêutica responsável), mas continuei firme, porque apesar de tudo que estava errado lá, eu não consigo fazer nada que possa prejudicar os outros, só que nessa eu me prejudicava…

Então a gota d’água foi quando, passado dois meses sem a contratação de outra farmacêutica (porque além de ser tudo moroso, tudo é feito através de aberturas de “chamados” que para mim eram “chamados para o além” já nunca eram ouvidos, pois saí de lá e ainda não tinham contratado outra farmacêutica), o filho da atendente que fazia o mesmo horário que eu, ficou doente e a mesma teve que se ausentar do trabalho por dez dias… Trabalhei neste período eu e a RT, sendo que eu fazia sozinha até as 22h, tendo que no final da noite fechar os caixas, retirar o lixo e levar o dinheiro no setor do cofre que ficava a uns duzentos metros dali. Ia correndo e voltava para sair pela mesma porta que entrava, pois não podia sair com a bolsa particular pela passagem do cofre… vai vendo…

Nosso corpo é uma máquina maravilhosa, mas é apenas uma máquina emprestada a qual precisamos cuidar da sua manutenção que envolve a parte física, mental e espiritual (não ligue isso a religiosidade), e nesses nove meses que fiquei ali, eu me descuidei de TODAS essas áreas. Não me alimentava direito, não estava feliz, não tinha disposição para minhas práticas espirituais (oração, meditação, mantras, respiração etc), enfim, eu levava meu corpo ao seu limite pensando apenas no dinheiro que recebia daquele trabalho.

Quando as duas atendentes voltaram ao serviço e retornamos ao super sistema de trabalho (a “organização” onde todo mundo faz tudo e tudo ao mesmo tempo) eu despenquei. Cheguei ao meu limite quando vi caixas e caixas de medicamentos para conferir data por data de validade, planilhar e guardar nas prateleiras ( e não posso falar mais sobre isso sem comprometer a RT sobre as irregularidades que existiam ali dentro, as quais éramos obrigadas a participar e se eu tiver que denunciar que seja no local certo; mas em mim fica a triste constatação de como as pessoas “vendem até suas almas ao diabo” em troca de uma quirela a mais e a aprovação de uma supervisão), fora que eu não tinha voz ali dentro, eu e nada era a mesma coisa.

Era uma terça-feira, estava no meu carro pedindo a Deus que me desse forças para suportar aquilo até o final do ano, quando acabaria a minha pós graduação, mas quando entrei lá, tudo que consegui fazer foi chorar e pedir demissão…

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4 comentários sobre “Quem vê cara, não vê coração… Cap. 21.

  1. Francisco

    Caramba. Vc foi terrível para estruturar seu texto se vc é ruim para escrever e reclamar de tudo. Espero q como farmacêutica seja melhor o q nao parece tbm. De acordo com seu relato (ruim) vc não quer trabalho e sim um emprego.
    Boa sorte aos patrões.

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    1. Obrigada pelo comentário Francisco! Verdade, eu não quero mesmo trabalhar com patrões, por isso estou contando minha história, pois escolhi um novo caminho para ser feliz!! O que eu vivi, muitas pessoas passam, meu intuito é ajudar essas pessoas, para que não precisem passar pelo que passei. Mas respeito sua opinião e vou tentar melhorar meus textos!! Namastê!!

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