Queimando a ponte que acabei de atravessar! Cap. 22

Quando vi, já tinha uma pequena farmácia em casa…

Quando pedi a demissão, foi como se eu tirasse uma tonelada das minhas costas e no outro dia o que sentia era apenas uma alegria incontida, que me fazia rir e brincar, dançar e cantar, até mesmo lá na farmácia!!

Assim, foram passando os dias, e na verdade, apesar do bem estar de ter finalmente colocado um ponto final no meu sofrimento, eu também tinha um pinguinho de tristeza, pois deixaria o convívio de algumas pessoas que eu queria bem somado ao sentimento de culpa (afinal, quantas pessoas gostariam de estar no meu lugar…).

Passados quinze dias do pedido de demissão eu cheguei para trabalhar como de costume, e ao sair do carro senti uma vertigem. Não daquelas de ver tudo rodando, mas era uma tontura que puxava meu corpo para o lado esquerdo, dando impressão de que eu ia cair. Me preocupei, pois umas duas semanas atrás eu já estava sentindo uma dor na região do peito, uma dor contínua, nada forte, mas quando se juntou a esse outro sintoma, me preocupou.

Entrei para a farmácia e comentei com a farmacêutica RT que estava com a tontura e ela “brincando” me disse que era problema de “data de nascimento”. Eu que realmente não estava bem naquele momento me senti descartável, pois esperava no mínimo, consideração imediata da parte dela ou pelo menos diplomacia.

Era uma quinta feira e eu trabalharia sozinha novamente até o final de semana, já que a atendente do meu horário tiraria esses dias de folga, em função de um compromisso que tinha, então, mesmo me sentindo mal trabalhei na farmácia até o sábado de manhã, quando amanheci com muitas vertigens e resolvi pela primeira vez em nove meses, usar o plano de saúde da empresa, indo direto ao hospital.

Chegando lá, a médica fez vários exames, inclusive eletrocardiograma para descartar a hipótese de infarto, constatando que era de stress, me liberando com atestado dois dias, ou seja, o final de semana, obrigando com isso, a farmácia fechar no meu horário e no domingo, pois não tinha ninguém para trabalhar.

O fato é que passado esses dias o mal estar aumentou, e a minha raiva em relação ao descaso da RT também, o que me fez pensar em mim e não pensar mais na empresa, afinal, se o que eu estava vivendo não importava a ela, o que ela ia viver lá sem mim, não me importava também.

Marquei um cardiologista a pedido da médica do hospital, o qual NADA constatou clinicamente, e me encaminhou a um psiquiatra com “suspeita de stress”, que me encaminhou a uma psicóloga, com diagnóstico de “stress pós traumático” que me encaminhou a um otorrino para descartar a possibilidade de labirinte…

E nessa maratona de médicos e exames, quando vi estava com atestado de afastamento do trabalho para quinze dias, algumas caixas de medicamentos de amostra grátis, outras para comprar e mais os muitos que eu já havia comprado por conta nos meses que estava lá, que sempre tinha dores de estomago, vitaminas, etc.

Eu que detesto medicamento, que acredito nos recursos de cura do próprio organismo, que acredito que a doença se instala em nosso corpo, devido ao nosso desequilíbrio energético, emocional, etc, agora estava ali, de médico em médico, de remédio em remédio.

É claro que todos eles agiam na melhor das suas intenções, que era de ajudar, pois eles acreditam nisso, e sim, fui muito, mas muito bem tratada por todos, a ponto de “quase” GOSTAR de estar doente..

E fora que todos eles sem exceção me instigavam a processar a empresa junto com as advogadas do sindicato que estavam só aguardando os papéis para dar início ao processo,  eu que já estava com raiva da empresa, fui vestindo a camisa.

Terminados os dias de afastamento, o psiquiatra me deu um afastamento para entrar no INSS, requerendo o “auxilio doença” e foi quando na fila para dar entrada na perícia, eu caí em mim. O que eu estou fazendo aqui? Olhei para as todas aquelas pessoas, doentes não só fisicamente mas doentes nas suas almas, pelas suas tristezas e insatisfações, e EU ESTAVA ALI, vestindo também uma doença que a minha tristeza e insatisfação tinha criado.

Eu voltei para casa e precisava tomar uma decisão. Continuar com aquele caminho de vitimização, entrar com o pedido da perícia, dar entrada no processo contra a empresa por ter adoecido lá OU  ir para o lado oposto, perdoar (principalmente a mim), re-significar aquilo tudo, e dar uma guinada de cento e oitenta graus na minha vida.

Queimando a ponte que escolhi atravessar.

Graças a Deus, para minha felicidade, escolhi o segundo caminho e assim, atravessei esta ponte, queimando-a no final da minha travessia…

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