O que fazer com essa tal liberdade? CAp. 23

Brusque
Decidi que a mudança tinha que ser primeiro dentro de mim… (Foto de Brusque – Fenarreco )

Passado o período de intensos sentimentos de raiva e após ter decidido por esquecer tudo e iniciar uma nova jornada, eu me vi num outro impasse: o de saber o que fazer agora?

Isso me obrigou a olhar realmente para dentro de mim para decidir o que fazer a partir de então. Procurar outra farmácia para trabalhar? Mudar de profissão? Ser fotógrafa? Dar aulas? Por o pé na estrada de novo? Mudar de cidade? De país?

Não, decididamente eu não iria fazer mais isso. Viajar é maravilhoso e eu realmente sinto essa necessidade, mas no meu caso, eu usava uma característica da minha personalidade para estar sempre fugindo de mim mesma. E trabalhar é necessário, mas eu também não queria mais me submeter a um sistema que me faz mal, quanto pessoa e quanto profissional. Era duro admitir isso, mas eu cheguei num verdadeiro fim de linha e, ou eu olhava verdadeiramente para dentro de mim, ou a minha vida continuaria no circuito fechado de motocross que sempre foi, oras em cima feliz, oras em baixo infeliz e é ÓBVIO, colhendo os resultados que sempre colhi: Insatisfação, vazio interior, pessoas que me desvalorizavam, etc, etc.

Passei por uma semana de verdadeiros questionamentos,  lutando entre a baixa auto-estima que eu tinha me jogado e a verdadeira essência do meu ser.

Quem era eu? Do que eu realmente gostava? Quais eram os MEUS valores? Quais eram REALMENTE os MEUS sonhos? O que EU queria fazer a partir de agora? Até quando fugiria das minhas limitações? Até quando procrastinaria minha vida?

Eu sou uma profissional da área da saúde, com uma enorme bagagem de conhecimentos e ferramentas para ajudar as pessoas, acredito realmente na cura pelo próprio corpo, que o poder está na mente, que o ponto de partida está sempre no presente e que cada um é responsável 100% pela sua vida, só que eu mesma passei a vida toda jogando isso pelo ralo da minha inutilidade…  Era duro “ouvir” isso de mim mesma, mas era uma conversa interna decisiva que determinaria minha vida daqui para frente.

Então, resolvi usar realmente uma parábola que eu sempre falava para os outros, mas nunca usei para mim mesma: A parábola da vaquinha no precipício, que segue abaixo:

Um mestre passeava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou ao longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer-lhe uma breve visita. Durante o percurso, ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também, com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores – um casal e três filhos – vestidos com roupas rasgadas e sujas. Então, aproximou-se do senhor e perguntou-lhe:

– Neste lugar, não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como a sua família sobrevive aqui?

O senhor respondeu:

– Nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite. Uma parte do produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por comida e a outra produzimos queijo e coalhada para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo. O sábio agradeceu, se despediu e foi embora.

No meio do caminho, voltou ao seu discípulo e ordenou-lhe:

– Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e jogue-a.

O jovem arregalou os olhos e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família; mas, como percebeu o silêncio do seu mestre, cumpriu a ordem: empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.

Anos depois, ele resolveu largar tudo e voltar àquele lugar, pedir perdão e ajudar a família. Quando se aproximou, do local avistou um sítio bonito, com árvores floridas, carro na garagem e crianças brincando no jardim. Ficou desesperado, imaginando que a família tivera de vender o sítio para sobreviver. Chegando lá, foi recebido por um caseiro simpático, a quem perguntou sobre as pessoas que ali moravam.

Ele respondeu:

– Continuam aqui.

Espantado, entrou correndo casa adentro e viu que era mesmo a família que visitara antes com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha):

– Como o senhor melhorou o lugar e agora está bem?

O senhor, entusiasmado, respondeu: – Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. Daí em diante, tivemos de fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos e, assim, alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora.

E num momento de insana consciência, joguei minha vaca precipício abaixo. Resolvendo numa ÚNICA DECISÃO mudar a minha história, SENDO e FAZENDO a diferença, que eu queria no mundo!

Até o próximo post!!

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