Quem vê cara, não vê coração… Cap. 21.

Sempre almoçávamos juntas num dos restaurantes da rede…

Quando eu aceitei o trabalho nessa rede de hipermercados fiquei orgulhosa, pois a tinha como uma das mais conceituadas empresas do ramo. Claro que este conceito se baseava na minha visão como cliente de um único hipermercado e que na verdade só ia lá quando combinávamos de almoçar eu, minha irmã e minha mãe no restaurante deste mercado na cidade delas, o qual é muito bonito, grande, bem organizado enfim, para consumidores de classes A e B.

Então, quando nós vivemos uma experiência, em nossos cérebros ficam registradas impressões as quais, todas as vezes em que vivemos novamente algo relacionado àqueles fatos, essas impressões tendem a se sobressaírem, ligando o novo fato ao fato antigo devido as sinapses que nosso cérebro faz, ou seja, para mim toda a rede era igual em qualquer lugar do país e a farmácia que eu iria trabalhar era também classe A…

O que ocorreu é que eu não queria enxergar que aqui nesta cidade, as coisas não eram bem assim e ignorei os sinais  vermelhos (também chamados intuição) que recebi desde o início do trabalho, quando fui avisada de última hora que iria começar a trabalhar no dia seguinte, tendo que me desbancar de uma cidade para outra “desarvorada” pois fiquei aguardando quinze dias o contato do RH  para assinar o contrato e ninguém sequer se manifestou, fazendo somente na última hora. Tudo bem que quando vamos trabalhar temos que ficar de sobreaviso, mas o respeito ao profissional tem que ser equivalente ao respeito do mesmo pela empresa.  E olha que um dos lemas de lá é: Respeito ao indivíduo, coisa que não tive o prazer experimentar na minha vivência profissional, não só comigo, mas com  todo o seu staff, que trabalhava descontente, mal humorado, sem treinamentos e consequentemente sem trato para com o cliente que por consequência, estava sempre insatisfeito.

Protecionismo, sobrecarga de trabalho, desvio de função, sujeira, desorganização, atraso de pagamentos e dias trabalhados, que além de todas as nossas atribuições, tínhamos que ficar correndo atrás de nossos direitos; líderes (chefes) sem capacitação e despreparados, disse-me-disse de funcionários, até alimentos com corós (larvas) eu vivenciei ali ( a atendente do meu horário chegou a comer um tadinha, eu graças a Deus vi antes, eca!). O alimento que nos proporcionavam no refeitório no mínimo me dava diarreia, sendo que tive que parar de me alimentar lá e passar a comer lanches todos os dias…

O trabalho do farmacêutico em drogaria já é um trabalho estressante. Convivemos com pessoas doentes e fragilizadas que chegam até nós buscando além do seu medicamento, uma atenção e um carinho devido a sua condição de saúde, então acabamos por exercer vários papéis profissionais, tendo as vezes que passarmos por médicos, psicólogos, amigos, pais, confidentes, fazer a nossa própria função que é a orientação do uso adequado de medicamentos e mais a parte interna e burocrática, que vai desde dar entrada no sistema das notas fiscais de medicamentos, verificar e planilhar as datas de validades, pensar em estratégias de atrair clientes, cuidar com medicamentos controlados (que para quem não sabe, podemos ser presos caso haja alguma irregularidade no armário) e mais a pressão que nos é imposta para aumentarmos as vendas.

Os dias foram se passando e meu cansaço aumentando devido a todo trabalho imposto, e ali ninguém tinha uma função específica, ou seja, todos faziam tudo ( e tudo ao mesmo tempo), imagina eu que sou toda metódica, detesto que mexam nas minhas coisas ter que conviver todos os dias com notas fiscais que uma hora eram colocadas num lugar, outra hora não se achavam mais em lugar nenhum, e nunca ninguém sabia. As coisas ali dentro tinham vida própria pois se escondiam e ninguém mais as achavam, e junto com toda essa desorganização, ainda o sobe e desce da escada para pegar os malditos pacotes de fraldas que ficavam “no andar superior” dos armários e fora as tais “ações” que tínhamos que fazer aos sábados para aumentar as vendas (que nem vou falar disso pois seria mais um post e esse já ficou longo demais).

Eu não conseguia fazer mais nada, só ia do trabalho para casa e da casa para o trabalho, pois meu cansaço era tanto que eu só conseguia chegar, desmaiar em cima da cama e navegar na internet em alguma coisa que me tirasse o foco daquele inferno. Trabalhava com uma única calça jeans que eu ia a semana toda, um tênis preto horroroso no pé, meu cabelo sempre molhado preso com um coque ou então sujo sem lavar a semana toda, enfim, sem nenhum estímulo para cuidar da minha aparência.

Todos os dias eu levantava e pensava, hoje peço a demissão, mas chegando lá eu me continha pensando no dinheiro e em toda a mudança que tinha feito na minha vida para estar ali e ainda as vozes interiores de desvalor que me diziam: Você é ingrata, quantas pessoas queriam estar no seu lugar?  Acho que se alguém pudesse saber antes de entrar, nenhuma escolheria estar ali, pois todos que saem dessa empresa, saem processando e isso não é um caso endêmico, é epidêmico mesmo, ou seja é a nível nacional (Fontes seguras).

Trabalhávamos em cinco funcionários na farmácia e em junho deste ano, a farmacêutica intermediaria saiu, acarretando ainda mais funções para mim, que fazia já o horário de maior fluxo de movimento, que é o vespertino-noturno, ou seja, além de tudo eu ainda pegava o vuco-vuco, e depois a atendente da parte da manhã saiu de férias, o que me fez mudar meu horário para cobrir o almoço da RT (farmacêutica responsável), mas continuei firme, porque apesar de tudo que estava errado lá, eu não consigo fazer nada que possa prejudicar os outros, só que nessa eu me prejudicava…

Então a gota d’água foi quando, passado dois meses sem a contratação de outra farmacêutica (porque além de ser tudo moroso, tudo é feito através de aberturas de “chamados” que para mim eram “chamados para o além” já nunca eram ouvidos, pois saí de lá e ainda não tinham contratado outra farmacêutica), o filho da atendente que fazia o mesmo horário que eu, ficou doente e a mesma teve que se ausentar do trabalho por dez dias… Trabalhei neste período eu e a RT, sendo que eu fazia sozinha até as 22h, tendo que no final da noite fechar os caixas, retirar o lixo e levar o dinheiro no setor do cofre que ficava a uns duzentos metros dali. Ia correndo e voltava para sair pela mesma porta que entrava, pois não podia sair com a bolsa particular pela passagem do cofre… vai vendo…

Nosso corpo é uma máquina maravilhosa, mas é apenas uma máquina emprestada a qual precisamos cuidar da sua manutenção que envolve a parte física, mental e espiritual (não ligue isso a religiosidade), e nesses nove meses que fiquei ali, eu me descuidei de TODAS essas áreas. Não me alimentava direito, não estava feliz, não tinha disposição para minhas práticas espirituais (oração, meditação, mantras, respiração etc), enfim, eu levava meu corpo ao seu limite pensando apenas no dinheiro que recebia daquele trabalho.

Quando as duas atendentes voltaram ao serviço e retornamos ao super sistema de trabalho (a “organização” onde todo mundo faz tudo e tudo ao mesmo tempo) eu despenquei. Cheguei ao meu limite quando vi caixas e caixas de medicamentos para conferir data por data de validade, planilhar e guardar nas prateleiras ( e não posso falar mais sobre isso sem comprometer a RT sobre as irregularidades que existiam ali dentro, as quais éramos obrigadas a participar e se eu tiver que denunciar que seja no local certo; mas em mim fica a triste constatação de como as pessoas “vendem até suas almas ao diabo” em troca de uma quirela a mais e a aprovação de uma supervisão), fora que eu não tinha voz ali dentro, eu e nada era a mesma coisa.

Era uma terça-feira, estava no meu carro pedindo a Deus que me desse forças para suportar aquilo até o final do ano, quando acabaria a minha pós graduação, mas quando entrei lá, tudo que consegui fazer foi chorar e pedir demissão…

O fundo do poço. Cap. 20

A procrastinação é uma forma covarde de adiar a vida, mas era o que eu fazia, não no sentido de que eu ficasse paralisada sem tomar nenhuma atitude, mas no sentido de não fazer o que eu realmente tinha que e queria fazer. Com isso, ia repetindo as experiências, que quase sempre me machucavam e me levavam a vários mergulhos em poços profundos, chegando não só uma vez ao fundo dele, mas muitas e muitas vezes.

É claro que, quando você chega ao fundo do poço, você pode escolher entre se entregar a morte (emocional) de uma vez, coisa que muitas vezes tive vontade de fazer, ou então, dar um impulso e subir novamente para a luz, e assim eu fiz, em todos os fundos de poços que eu cheguei. Impulsionei e subi de novo.

Mas até quando eu ficaria nesse sobe e desce em poços, oras fundos, oras rasos, oras sem nenhuma água, com queda livre no chão?  Algumas pessoas têm necessidade de viver dessa forma e atrai situações complicadas para sentirem-se vivas, desafiadas e sendo parte de alguma coisa. Eu era assim, aprendi assim.

Para mim, lidar com o erro sempre foi muito complicado. Eu tinha que ser perfeita para ser amada (por quem, se eu fugia dos vínculos? Talvez por mim mesma…), então, quando algo dava errado, na minha concepção de erro (porque em porcentagens de erros e acertos, mais acertei do que errei, mas eu não conseguia ver isso), eu queria apagar como que passando uma borracha, e assim eu mudava de casa, mudava de trabalho, mudava de curso, mudava de cidade, mudava de país… Era uma corrida atrás de uma perfeição que nunca chegaria e pior, eu poderia até tentar apagar mudando o externo, mas as marcas deixadas na folha da minha vida, sempre me fariam lembrar do que havia “escrito” lá atrás.

Não estou dizendo que seja errado mudar e buscar novos horizontes, eu adoro viajar, isso faz parte da minha personalidade e curiosidade de vida, mas as mudanças frenéticas no sentido de urgência sem tê-las é a questão e foi mais uma vez neste contexto que aceitei uma proposta de trabalho numa farmácia em Brusque ( cidade onde estou agora). A farmácia pertence a uma rede americana de hipermercados muito conhecida no Brasil e eu me propus a trabalhar nela até terminar a pós em acupuntura, guardando um dinheiro para montar meu consultório.

Quando eu falei em procrastinação no começo do post, eu me referi a que poderia começar a atender alguns pacientes em casa, afinal eu tinha ali um quarto disponível, era só comprar uma maca e então, na pior das hipóteses, não ter muitos clientes, mas afinal, quem já começa uma atividade tendo uma clientela formada? Mas eu não sabia lidar com o “não deu certo como eu programei” e então, levantei meu acampamento e vim para Brusque.

Eu procrastinava o que realmente tinha que fazer, e assim, caia em poços oras fundos, oras rasos, oras sem qualquer água, me estabacando no chão…

Assim inciou-se o meu mais recente e último (espero) fundo de poço.

Navegantes de novo? Girando em círculos… Cap. 19

Encontrei um apartamento bem pertinho dali, no Gravatá que é um bairro de Navegantes que, apesar de ser um pouco distante do centro da cidade, meio que tem vida própria, e o apartamento apesar de também não ser tão perto da praia, se eu quisesse ir a pé até daria, mas como eu as vezes queria passar em algum outro lugar, como mercado, lojas, etc eu ia de carro e o deixava estacionado na beira mar.

Quero uma rede preguiçosa pra deitar…

O apartamento era o melhor que eu tinha morado até então. Segundo andar, dois quartos enormes que eu fiz de um o meu quarto e do outro um escritório; o piso era de porcelanato (que é maravilhoso, mas uma merda para limpar); tinha churrasqueira, que eu não usava porque raramente como carne, então aproveitei o espaço para colocar uma rede, que nos finais de tarde eu sentava com a janela aberta tomando uma cervejinha e ouvindo os pássaros cantarem, balançando para lá e para cá. Tinha também uma sala boa, que eu fiz jantar e estar, a cozinha integrada com a área de serviço. Enfim, uma casa normal…

Não era a glória de silêncio, mas eu me propus a ficar ali, com barulho ou não e tinha uma menina que morava no andar superior, que quicava uma bolinha as dez horas da noite, por uma hora mais ou menos, mas como eu tinha proposto a ficar ali, aguentava…

Pelas manhãs eu caminhava na praia e como já deixava no meu carro a cadeirinha e os outros apetrechos, após a caminhada eu me instalava na areia e ficava ali, calangueando até umas onze horas.

Estava tudo bem lá, com exceção do piso que era um inferno para limpar e da menina quicando aquela maldita bolinha no teto do meu quarto a noite, de resto, estava tudo ok, eu não tinha do que reclamar.

Os dias foram passando, eu comecei a escrever e a rever meus projetos que até então estavam parados, estudar, enfim, quando eu comecei a iniciar o que eu REALMENTE queria fazer, deu pau nos DOIS computadores e no meu carro… Lá se foram mais alguns bons tostões das minhas economias…  A vida é assim mesmo, as coisas materiais envelhecem, enferrujam, estragam, acabam, usando ou não. Enfim, mandei arrumar o carro e formatei os computadores, que diga-se de passagem, ficaram piores do que foram. Se disserem que seu computador tem que ser formatado, resista até a última gota de sangue, porque além de NUNCA ficar bom, você ainda perde vários arquivos e seu nível de adrenalina, com certeza vai para as alturas, então experimente antes RESTAURAR O SISTEMA, isso ninguém te fala…

É assim: Quando uma pessoa se perde do seu eu verdadeiro, ela vive como se fosse uma folha jogada ao vento, sujeitando-se a qualquer paragem. E assim eu vivia, não só em Santa Catarina, mas como foi na minha vida toda. Eu me deixava levar pelo vento da vida. Mas porque eu vivia assim, perdida de mim mesma? Simplesmente pelo fato de querer ser eu e agradar outras pessoas ao mesmo tempo e isso é impossível de acontecer. Não dá chupar a cana e assobiar ao mesmo tempo, é impossível viver a sua vida na plenitude e agradar as pessoas.

Mas o buraco de carência que existia dentro de mim era do tamanho de uma cratera ocasionada por uma bomba e eu não conseguia identificá-lo, gerando assim a busca por uma Maria Lúcia perfeita, que agradaria a ela mesma e às pessoas que ela amava, para então e somente então, ser feliz e amada (Dá-lhe ilusão).  E por mais distante fisicamente que eu estivesse das pessoas, era como se eu tivesse que dar satisfação das minhas atitudes, para mostrar que eu estava sendo uma “boa menina” e que eu era capaz, as vozes ocultas, apenas impressas em minha mente,  me diziam o tempo todo que eu não conseguiria.

Irônico e contraditório. Eu queria provar que era capaz e provava justamente O CONTRÁRIO, porque eu vivi assim, nesse jogo de valência entre os meus propósitos e os valores de outras pessoas, numa gangorra sem fim, e nesse jogo eu não me dedicava o bastante nas minhas coisas. Eu não me dedicava.

Poucas fotos: LINK

Independência ou morte? Em Balneário Camboriú… Cap. 18

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De volta a Balneário Camboriú, eu fingia viver, como uma barata tonta após um jato de inseticida…

Continuando sobre paradigmas…

Desde os mais remotos tempos existe o homem livre e o homem escravizado, onde o mais fraco sucumbe ao mais forte. Vimos isso na história da humanidade, como na Bíblia, onde o que mais se lê é sobre “o povo de Deus” que sempre está subjugado pela soberania tirana. Vemos também na história política, principalmente no nosso país, onde uma minoria detentora do poder mantém o povo escravizado num sistema de impostos e roubalheiras para benefício próprio.

Mas também vemos que a libertação sempre ocorre de alguém revoltado com o jugo e que dá a própria vida em função de mudança. D. Pedro, Moisés, Mahatma Gandhi, Kailash Satyarthi* e muitos outros revoltados da história, neste caso, a luta foi em prol de muitos.  Claro que não precisamos nos transformar em grandes líderes libertadores, a menos que isso seja sua real missão, mas podemos libertar a nós mesmos de jugos que nos escravizam, jugos sutis como escrevi no último post, os quais temos que ficar bem atentos para enxergá-los e então, após decisão intima muito bem estruturada, mudá-los.

Só que eu tinha anestesiado minha consciência… Vivia ainda na escuridão sem propósito real, deixando literalmente a condução dela nas mãos de outras pessoas, de qualquer pessoa aliás.  E como eu não pilotava minha vida, e ninguém o quer fazer(e não é obrigado, já que tem a sua própria para conduzir),  era como um carro desgovernado numa ladeira e é claro que todas as decisões tomadas dessa forma só podem trazer sofrimento.

No desespero de sair do cortiço, eu não me dei tempo suficiente para encontrar um apartamento legal e acabei alugando um quarto no apartamento de um moço que estava dividindo o aluguel. O valor que ele me cobrou era bem mais caro que um apartamento só para mim e esse valor ainda subiria em alta temporada, em função da energia, dizia ele… Mas eu estava cega na minha escravidão e sem perceber, ia amarrando mais e mais minha vida.

Eu “vivia a morte”. Talvez você pense que este termo seja muito forte ou exagerado, mas não. Todos os dias morremos um pouco quando nos afastamos de nós mesmos, de nossos reais valores, de nossa verdadeira missão quanto pessoas. E isso, mais cedo ou mais tarde acaba gerando mudanças para nossos corpos, material e espiritual, acarretando em algum tipo de “doença”.

Apesar da convivência não ser ruim, dele ser um bom moço e além de tudo vir somente a cada quinze dias, só o fato de saber que ele poderia chegar a qualquer hora, não me deixava a vontade e também junto com isso, ainda aquela sensação de ser uma barata tonta rodando após um jato de inseticida e agora sem saber o que fazer e nem para onde ir. Tinha me perdido TOTALMENTE do meu objetivo inicial de quando vim de SP, mais o fato do valor que ficou pesado para meu orçamento pois eu só tinha minhas reservas e não estava trabalhando…

Mas eu estava em Balneário Camboriú e eu não podia deixar de “curtir a cidade”, que é maravilhosa e tida como a segunda melhor cidade com qualidade de vida em SC.  Se bem que, sinceramente, eu não sei baseada em qualidade de vida para quem, já que para mim é uma cidade congestionada, com um trânsito infernal, cara e agitada demais para meu gosto. Mas como eu disse, nessa época estava cega e vivendo pela opinião e valores de qualquer um que quisesse dirigir minha vida por mim… Eu mentia para mim mesma que  vivia.

Tenho uma amiga de muitos anos que mora lá, a Simone, então saíamos as vezes a noite para papear e durante o dia, eu caminhava nas praias e conhecia a região.

Isso durou três meses, quando um resquício de consciência me fez levantar a bunda da cadeira e procurar alguma coisa mais barata ou então alguma coisa para trabalhar. Não encontrei nem uma coisa e nem outra, talvez (com certeza) pela minha vibração energética e também, porque não era ali que eu queria estar…

Como já estava perdida mesmo, perdido por perdido, TRUCO! E após ficar dividida entre uma casa em Piçarras eu aluguei um apartamento em Penha (sem móveis) e comprei tuuuuudo de novo… Vai vendo! O apartamento era no térreo de um pequeno prédio de três andares, onde moravam em cima a filha em um apartamento e a mãe em outro. E no fundo da garagem, morava uma família, que era muito querida, mas não… ainda não tinha dado certo, afinal minha vibração só atraia coisas que confirmavam minhas crenças momentâneas.

Eles fumavam muito, e o cheiro de cigarro vinha sempre para o meu apartamento, que tinha uma janela ligada diretamente com a janela da casa deles! E as vezes faziam churrasco a noite na garagem da casa, que TAMBÉM claro, entrava toda a fumaça dentro do meu apartamento, e TAMBÉM tinha o esgoto da casa, não sei direito se era a caixa de gordura, mas o fato é que o cheiro era insuportável. Aguentei ali por um mês…

Rumo à… Navegantes, de novo??

Até o próximo post!

*Se tiver tempo, assista o vídeo onde Kailash Satyarthi conta como transformou sua raiva em benefício para a humanidade, o que lhe concedeu o prêmio nobel da paz: LINK

Fotos de Balneário Camboriú: LINK

Navegantes – Preste sempre atenção e não se perca pelo caminho… Cap. 17

É difícil quebrar paradigmas e mudar a forma de ver um mundo ao qual fomos condicionados e apesar de vermos todos os dias que o mundo está mudando nem sempre conseguimos acompanhar esse processo, pois a mudança mais difícil é aquela que precisamos fazer dentro de nós mesmos, e se não determinarmos isso, ficamos girando em círculos, num movimento de rotação. E claro que essa mudança interna depende de pegarmos as rédeas de nossas vidas em nossas mãos e assumirmos em cem por cento a responsabilidade de levá-la para frente.

Quando eu sai do interior de São Paulo para Santa Catarina, eu tinha plena convicção de querer viver fazendo o que amava e trabalhar em drogaria não era definitivamente o que eu queria.

Eu tenho várias possibilidades de trabalho e sustento, mas a tentação de colocar a vida no piloto automático e me vitimizar estava impregnada dentro de mim, como uma marca d’água.  Esse tipo de carimbo não tem a tinta que escancara, o que seria muito mais fácil identificar, mas  a sua sutileza de timbre faz com que, se não estivermos atentos, caiamos na armadilha de vivermos sempre os mesmos erros.

Não que seja errado trabalhar em drogaria, mas esse não é o trabalho que me realiza, mesmo porque, sou muito livre e ficar presa dentro de um local, para cumprir horários e ser subordinada a outras pessoas, não é para mim, eu preciso de liberdade para expressar minha criatividade. E também, porque tenho uma visão de saúde-doença que passa longe da indústria farmacêutica, onde o medicamento é colocado como o único meio de cura das pessoas.

Para mim, a doença não existe originariamente. Ela é fruto de caminhos emocionais errados que tomamos no decorrer de nossas vidas, mas também não sou contra tomar medicamentos, pois uma vez instalada a doença, tem que tratar. Mas tudo isso é muito relativo e tema para um próximo post.

O fato é que, apesar de meu coração me dar o tempo todo a direção para ser feliz, e expressar quem eu realmente sou, eu me perdi pelo caminho muitas e muitas vezes na vida, me levando a girar em torno de mim mesma, como um cachorro correndo atrás do seu rabo.

O dinheiro NÃO estava acabando, mas o fato de eu estar simplesmente VIVENDO, despertou em mim todo o aprendizado que tive durante minha vida, o aprendizado de escassez. E passei a ignorar MAIS UMA VEZ o meu real objetivo de vida, a minha real missão aqui nesta terra e isso é um ciclo vicioso que se for quebrado conscientemente, nos traz uma vida de sofrimento, ou no mínimo, de altos de baixos emocionais, como ocorreu comigo, a vida toda…

Então, mais uma vez, aceitei avidamente um convite para trabalhar numa cidade no norte do estado, em uma drogaria de bairro, a qual eu daria plantões somente aos finais de semana, me enganando mais uma vez com a possibilidade de intercalar meus estudos e meus projetos, com um dinheiro fixo por mês. A ilusão da segurança.

Quando você se perde do seu caminho verdadeiro, começa a vibrar em esferas energéticas muito distantes daquelas as quais lhe trarão felicidade, então, começa a atrair todo tipo de situação que vem confirmar a sua vibração.

O dono da farmácia, me prometeu uma casa, era um chalé, onde atrás dele moravam duas famílias. Era um cortiço. Mas eu havia me distanciado tanto da minha essência, que mesmo que ela gritasse que aquilo ia me trazer infelicidade, eu não ouvia. Note também, que esse distanciamento não demora muito para acontecer. É o tempo do piloto automático ser acionado, e pronto. Você já se perdeu.

Mudei de mala e cuia, mais uma vez, de cara contra o muro.

Com uma semana de casa nova, já vi que minha estadia ali seria um inferno. O casal do apartamento superior eram loucos, cantavam alto, brigavam (quando eu digo brigavam, entenda-se baixaria), pagode no último até altas horas e de manhã música gospel, mas tudo no mais alto e bom som!

Eu adoro animais, mas eles tinham um cãozinho filhote que deixavam amarrado O DIA TODO embaixo da janela DA MINHA CASA, e este filhote chorava de manhã até a a manhã do outro dia, fora o cheiro de xixi e cocô de cachorro que subia para meu quarto…

Bom, esses eram o casal do apartamento de cima, o casal do apartamento de baixo, era uma senhora crente, casada com um homem alcoólico que TAMBÉM chegava falando alto e brigando com a tal. Ele TAMBÉM tinha uma cadela que ficava presa o dia todo, e a soltava a noite, e esta fazia cocô pela área comum das casas, que digamos era muito mal cuidada, cheia de mato, madeiras de reformas, televisão velha, etc, etc. E uma gatinha que as vezes ia me visitar. Tadinha, ela foi a única coisa boa naquele pesadelo. O seu dono, o bêbado, a chamava de misse-misse…

misse misse
Misse-misse, foi a única coisa boa que aconteceu nesse período.

A casa que eu morava era um chalé de madeira e a noite, todos os cupins e baratas saiam para fazer festa. E é claro, eu passava algumas noites em claro, com o barulho dos vizinhos, dos cupins e tentando encontrar as baratas para não ter que dividir minha cama com elas…

Bom, mas já estava lá e aos finais de semana, ia para a farmácia, só que nem preciso dizer que não deu certo, devido as irregularidades que eles costumavam fazer e que vão completamente contra a minha conduta ética. Medicamentos controlados escondidos embaixo do caixa para serem vendidos sem receita, aplicação de injetáveis também sem receita, aparelhos de aferição de pressão e de glicemia quebrados ou até enferrujados, enfim…

Claro que não deu certo… Minha estadia foi meteórica. Acho que não deu nem um mês.  Para onde eu fui?

Balneário Camboriú… Como disse, quando nos perdemos de nós mesmos, giramos em círculos…

Poucas fotos de Navegantes: LINK

Praia da Armação – Sul da Ilha Cap. 16

Na medida em que se passavam os dias, comecei a procurar um local para me mudar da kit do Rio Tavares. Na verdade eu queria uma casa, de preferência próxima ao mar, mas infelizmente não se encontram casas muito facilmente para locação, nem mobiliadas e nem sem mobílias. As poucas que eu encontrava não tinham condições de moradia… (muquifos), ou então muito caras (não estavam dentro da minha realidade).

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Praia da Armação

Portanto, encontrei um simpático apartamento na praia da Armação, a três quadras da praia! Show! Era num tamanho ideal e apesar de não ter muita claridade valia a localização. Levantei novamente meu acampamento (já estava prática com isso), e fui!

Como era perto da praia, comecei minhas caminhadas todos os dias com a vantagem de não ter que gastar gasolina. A praia era pequenina, mas muito linda, como tudo na ilha. Frequentei essa praia por um mês mais ou menos e depois comecei a ir na praia do Matadeiro, que só tem acesso a pé, após subir por uma trilha. Se existe paraíso na terra, é lá! Matadeiro, você precisa conhecer!

Ela!!
Ela!! Vê se não compensa o esforço de caminhar pela trilha para chegar lá!!!

A praia é praticamente deserta, pois só em época de alto veraneio é que fica mais lotada, mas como eu morava lá e ia todos os dias, só tinha mesmo o contato com os surfistas que ali estavam, os moradores de algumas poucas casas que foram fabricadas lá, devido a dificuldade de acesso. O que eu acho ótimo, pois é a única maneira de se manter alguma coisa preservada nesta terra, onde o homem consegue destruir tudo!

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Trilha de acesso à praia do Matadeiro. Olha o visual!

Seguia de casa até a praia da Armação, caminhava mais um pouco, atravessava um pequeno riacho que desembocava no mar, onde até se viam os peixinhos, e subia pela trilha, que chegava na praia.

Ali, estendia minha canga, e continuava a contemplação e gratidão por tudo que estava vivendo.

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Minha canga era minha casa. Todo o resto meu quintal! Precisar de mais o que?

Você pode até dizer, que vida sem graça, não tem balada, não tem barzinho, não tem, nada…  Não e era isso que me dava mais satisfação. Fazer parte integrante da natureza, longe de todos os conceitos consumistas que somos obrigados a engolir como requisito para felicidade…

Só o fato de simplesmente SER me fazia feliz, não era necessário mais nada (uma cervejinha talvez, ou então uma água já estava valendo!)

Claro que como ser sociável, conheci várias pessoas, tanto nativas, quanto turistas, mesmo os proprietários do apartamento, e alguns vizinhos.

Passeava também pelas redondezas do bairro, como na praia do Pantano do Sul, no mirante do convento no Morro das Pedras, no parque Lagoa do Peri, enfim… Uma vida só é pouco para conhecer tudo. Claro que ficaram locais sem conhecer (ainda).

Também não estou entrando em detalhes sobre os locais, e sim apenas dando uma introdução a tudo, pois  quando chegar no local que estou hoje, aí sim, começarei a falar sobre os locais, pontos turísticos, serviços, enfim, dicas de viagem… Portanto, continuem me seguindo, que ainda teremos muitas coisas para vermos juntos…

Então fiquei ali mais uns três meses, quando recebi uma proposta de trabalho para Navegantes. Era para trabalhar apenas aos finais de semana e eu teria tempo para talvez iniciar meu consultório…

Como uma onda no mar…

Fotos da Praia da Armação: Link

Fotos do acesso e da Praia do Matadeiro: Link

Fotos da Lagoa do Peri, Morro das Pedras, Mirante do Morro das Pedras: Link

Sul da Ilha da Magia! Cap. 15

Lagoinha
Eu fazia questão de sair bem cedo de casa, para me sentar em um trapiche que fica em frente a lagoa e poder contemplar o som do silêncio casando-se com o dos Bentevis, ambos saudando o sol que despontava no horizonte, remetendo-me para a minha inquestionável natureza divina, que se entrelaça com todas as coisas existentes.

Só me corrigindo o último post, onde eu escrevi que tinha alugado um apartamento no bairro Armação, mas não, ainda não tinha sido ali… Primeiro me mudei para o Rio Tavares, que é um bairro na região centro-sul de Floripa. Fica entre a Lagoa da Conceição e o Campeche.

Aluguei uma kit muito simpática, mas era bem menor do que o apartamento que eu estava e meus vizinhos não eram tão silenciosos como os do São João do Rio Vermelho. Eram jovens de seus vinte anos, gostavam de um som alto, fumavam maconha e tabaco o dia inteiro, e apesar de já ter sido fumante eu odeio tabaco. A cama também era muito alta e quase que eu precisava de uma escadinha dessas de subir em macas, para poder deitar nela.

Os dias foram passando e apesar do lugar ser lindo, cheio de pássaros, bentevis cantando, era muito barulho de gente falando alto até tarde da noite… Ih, não prestou! O arrependimento bateu a porta da mente descendo e comprimindo o coração, mas aí já não tinha mais jeito e já que estava pago, procurei relaxar e aproveitar o que tinha de bom, então comecei a frequentar a praia do Campeche, que é maravilhosa e para chegar nela, eu tinha que passar pela Lagoinha pequena, que fica entre o rio Tavares e o campeche. Eu fazia questão de sair bem cedo de casa, para me sentar em um trapiche que fica em frente a lagoa e poder contemplar o som do silêncio casando-se com o dos Bentevis, ambos saudando o sol que despontava no horizonte, remetendo-me para a minha inquestionável natureza divina, que se entrelaça com todas as coisas existentes.

Somente após o dia raiar completamente é que eu ia de encontro a praia, e já com a alma purificada, podia fazer minha caminhada na areia, sentindo-me completamente parte do universo. Esses momentos eram ímpares, compensando me perdoar de qualquer mancada que eu tivesse dado em relação a mim mesma, na troca do apartamento.

E é claro, continuava pegando meu bronze, e as vezes até arriscava fazer minha meditação ali na paia mesmo, já que tinha acabado a época de maior movimento turístico, então podia ficar mais a vontade.

Campeche - Floripa
Também gostava de ficar observando as pessoas na praia e conjecturando a respeito de suas vidas…

Ali ficava observando o vai de vem das pessoas, vendedores ambulantes, casais apaixonados, os garis que limpavam a praia, enfim, cada ser com sua história, com suas dores, com seus amores. Era a vida que me presenteava com a maior e melhor terapia que uma pessoa possa ter.

As vezes também me dava ao luxo de tomar uma cervejinha num restaurante que tem em frente para o mar, mas era um luxo mesmo, porque uma cerveja com uma porção de fritas eu já deixava um rim para pagar, e se pedisse camarão, precisava teria que deixar os dois, mas como tudo isso não tem preço, para todas as outras coisas, existe o Mastercard…

campeche restaurante
Esse céu azul, essa praia maravilhosa, o contato com minha essência, não tem preço…

Sentimento? Só gratidão!

Fotos Lagoinha Pequena: Link

Fotos Campeche: Link

Três meses de pura entrega! Cap. 14

Canhão do Forte de São José da Ponta Grossa
Quantas infinitas belezas a vida nos apresenta? Bora lá sabermos juntos? Praia do Forte, em Floripa!

Meus dias seguiram dessa forma. Apenas vivendo. Foram três meses de total entrega a sensações, contemplações, conhecimento, leveza…

Passeei pelas praias Moçambique, Lagoinha, Ponta das Canas, Cachoeira do Bom Jesus, Canasvieiras, Jurerê, Praia do Forte enfim, quase todas as praias do norte da Ilha e ainda não consegui ver todas!

Minha vida estava ótima! Entãããão…

No final desses três meses um comichão se instalou dentro de mim e já não estava mais satisfeita em estar parada. Parecia que eu já estava morando ali fazia uns dois anos e “meu espirito cigano” começou a sapatear e eu quis levantar acampamento!

Claro que “esse” do vídeo não sou eu, posso até ter sido algum parente dele em uma outra encarnação, o que explicaria minha inconstância e nunca estar satisfeita em lugar nenhum, e para ser sincera, fazia igualzinho o cara da dança, mesmo sem saber dançar!

Assim foi o “ferniquim” que me deu e me levou a procurar outro apartamento, agora no sul da ilha.  Sabe aquela sensação de que “não vai dar tempo”?  Pois é, carregava sempre isso comigo o que me levava a fazer tudo correndo, muitas vezes largando pela metade, sem terminar, para buscar a outra coisa que nem eu mesma sabia o que era, e para no fim (não chegou o fim ainda!) não chegar a lugar nenhum… As vezes ainda faço isso até hoje; começo a limpar um cômodo, largo, vou ver internet, largo, vou colocar roupa na máquina de lavar, largo, vou escrever, largo… Chega no final do dia, não fiz nem metade do que tinha me proposto…

Não conseguia ver o bom no que eu tinha no momento,  parecia que o bom estava sempre “lá”, em algum lugar que não era no presente. Não podia continuar lá no norte da Ilha? O apartamento era bom, silencioso, vizinhos tranquilos, bairro simples, mas bom… Não! Eu queria ir!  O que tanto eu buscava? Meu objetivo não era qualidade de vida?  Já não estava tendo? O fato é que eu fiz que fiz, até que encontrei um apartamento já mobiliado, na praia da Armação,  o que me fez vender a toque de caixa (de novo) TODOS os móveis, e fui…

Sabe aquele ditado que diz, macaco que muito pula quer chumbo?

Pois é…

Santinho: LINK

Cachoeira do Bom Jesus: LINK

Praia do Forte: LINK

Conhecendo as praias do norte da Ilha da Magia… Cap. 13

Começando o verão

Chegou o verão!

Meus dias que eram combinados entre a preguiça, os passeios, os estudos e a interação social com meus vizinhos, agora se estruturaram para pegar o bronze. Dormia cedo, pois gosto de pegar o primeiro sol da manhã e também, pegar o melhor lugar na areia, já que a maioria dos turistas começam a chegar na praia, a partir das dez horas.

Após zanzar pelos arredores do meu bairro (São João do Rio Vermelho), escolhi para ir todos os dias, a praia dos Ingleses. Primeiro por ser mais próximo de casa, gastando menos gasolina, segundo porque o norte da ilha é bem mais estruturado, tanto quanto o centro, então, quando queria ir a um banco, ou hipermercado, era só sair da praia e tinha tudo pertinho.

Na praia conheci muitas pessoas, algumas já me esqueci até dos rostos, restando apenas a impressão marcada de alguma forma em meu aprendizado de vida, outras foram mais significativas, cujos vínculos permanecem de alguma forma até hoje, como no caso da minha amiga Lourdes Inglez, que como eu, ama viajar. Então tínhamos papo para o dia todo, e ainda mais associado a uma cervejinha gelada e um camarãozinho empanado…

Camarãozinho empanado, cervejinha, praia, boa conversa, risadas, ah, pára... Quer coisa melhor?
Camarãozinho empanado, cervejinha, praia, boa conversa, risadas, ah, pára… Quer coisa melhor?

Claro que junto com tudo isso, o inevitável… Seis quilos a mais. Mas quer saber, não estava nem aí, queria mais era ser feliz!

Esse camarão era tão bom, que depois tentei reproduzir em casa, mas claro, não ficou igual. Ainda que tentei encontrar na internet a receita, mas a massa de empanar ficou muito pesada, deixando o pobre bichinho perdido lá no meio, ficando mais para bolinho de chuva (de camarão) salgado…

camaraocamarãozinho

Camarão lá de casa...
O meu… Ficou com cara de bolinho de camarão… Mas deu para comer…

Mas tava valendo, deu para comer e tomar minha cervejinha em casa também…

Quem olha meu prato elaborado assim, pode pensar que eu sou um desastre na cozinha… Mas não. Eu adoro cozinhar e podem ter certeza que faço pratos maravilhosos (deixando a modéstia beeem de lado), mas não dá  para acertar sempre, né?

Quando estava sozinha (na maior parte dos dias), eu gostava de caminhar e descobrir novas belezas e encantos, como no caso das dunas dos Ingleses, que se você tiver muita coragem e disposição, pode atravessá-la e chegar na praia do Santinho. Eu bem que tentei, mas não consegui, pois são alguns quilômetros de areia, que aumentam significativamente o cansaço.

Fotos das dunas: LINK

A nova fase! Cap. 12

Praia dos Ingleses
Até que enfim uma fase boa!

Já instalada na nova casa, tratei de conhecer meus vizinhos e logo fiz amizade com uma moça muito querida que morava no andar superior e que tinha dois gatinhos e como eu amo animais, logo vi que se tratava de gente boa! As vezes ainda falo com ela pelas redes sociais, e tenho certeza que falaremos pessoalmente, pois ainda não vivi tudo o que queria em Floripa…

Tratei de começar a organizar minha  vida e isso incluía comprar alimentos saudáveis, por exemplo, muita salada, arroz integral, etc… É claro que eu comprava também uma cervejinha, porque afinal, ninguém é de ferro e não acredito que devamos ser radicais…

Acordava logo cedo mas dava uma boa morgada injetando minha cafeína matinal, junto com a indispensável navegação virtual (minha cafeína emocional) e como ainda não tinha chegado o verão com o clima ainda um pouco nublado e um vento meio gelado e;  como eu estava totalmente disponível para mim mesma, me dava o direito de vadiar um pouco…

Então colocava um biquíni com um short por cima, calçava uma havaianas, empunhava meu chapéuzinho, uma canga, e lá ia eu, aproveitar a vida! (suspiros). Difícil colocar em  palavras a sensação de liberdade e de realização de um momento como aquele.

Comecei por conhecer os arredores da praia da Barra da Lagoa, pois trabalhei ali mas não dediquei tempo para passear por lá.  Andava pelas ruelas, conhecendo as lojinhas de artesanatos e artigos praianos e é claro, caminhava pela praia, deitava na areia, as vezes sentava sentindo o cheiro de mar, olhava as pessoas, as gaivotas, os pescadores, tudo enfim era motivo de minha atenção. Todo dia era uma novidade e comecei a viver em pleno êxtase de realização e felicidade, era a melhor fase da minha vida! Todo sentimento ruim e todas as frias que entrei desde que sai de SP,  tinha finalmente compensado.

O fato de estar só,  também possibilitava um mergulho para dentro de mim mesma refletindo qualquer coisa que eu quisesse, desde a morte (em função da perda recente de minha mãe), até a vida e sua infinitude…

Ali entendi a frase que diz: É nas pequenas coisas que está a felicidade. Claro que eu estava em Floripa e não há como negar que o local contribuiu em muito para eu alcançar meu nirvana… Mas também vi, que se pode fazer isso com muito pouco dinheiro…

Meus dias eram assim, cheios de preguiça sem contar o tempo, praia, passeios de carro, boa comida, bons papos com meus vizinhos, risadas, ouvindo boa música intercalada com o silêncio que possibilitava minha solitude (para mim, extremamente necessária), e meus livros e estudos (tinha começado enfim a pós graduação em Acupuntura).

Estava ressignificando a vida!

P.S. Se quiser ver mais fotinhos clica aqui:  Mais da Barra