Tudo ou nada! Cap. 24

Passeio no teleférico de Nova Trento – SC

Decidida que iria fazer uma imersão em mim mesma para encontrar o verdadeiro significado de minha vida, tive que priorizar algumas coisas e a primeira delas foi ficar bem atenta aos meus impulsos, que em situações de mudanças internas ou de situações que exigiam paciência e tempo, agiam como um vendaval, devastando qualquer possibilidade de ação efetiva. Portanto decidi uma única vez e isso significava não ter mais plano B, significava fazer tudo diferente do que eu havia feito em minha vida até então.

A segunda prioridade foi colocar um prazo. Desta vez, eu não mudaria de cidade e não assumiria nenhum outro trabalho enquanto eu não conseguisse a mudança real de 180º que queria dentro e fora de mim, isso implicava desde a forma de pensar, de sentir, de acreditar, para me tornar uma nova mulher. A mulher que eu queria realmente ser e que sempre existiu dentro de mim, que eu não sabia qual era, mas que estava disposta a pagar o preço para descobri-la.

Após colocar este prazo, eu precisava definir quais ações eu precisaria tomar além de controlar meus impulsos e não assumir nenhum outro trabalho. Então, primeiramente, decidi utilizar as técnicas terapêuticas que aprendi no decorrer de inúmeros cursos que fiz, que ajudavam tantas pessoas, então tinham que ajudar a mim também.

Precisava iniciar a academia, já que meu colesterol tinha subido com o stress e foi indicação do médico também e junto a isso, vieram as atitudes em relação aos meus cuidados pessoais, como cuidar da minha casa, do meu corpo e da minha aparência, que já ha muito tempo, não sabia o que era fazer uma unha ou comprar uma roupa nova e claro, incluía-se neste quesito, a dieta alimentar, pois nos últimos anos a minha alienação me fez engordar mais de dez quilos.

Nas prioridades, estavam também olhar novamente para meu lado espiritual, minhas reflexões, minhas meditações e orações, que abandonei com o cansaço e desanimo. E junto com isso, a  parte intelectual, a qual estava em débito, pois já não me dedicava aos meus estudos da pós graduação.

Estabelecidas as metas, definidas as prioridades, comecei a colocar em prática. É claro que as coisas não acontecem de uma hora para outra, e por mais que eu tivesse decidida, as “forças ocultas” embutidas no sistema límbico do meu cérebro, apareciam na melhor das intenções e para me proteger, tentavam sabotar minhas novas ações, através de emoções negativas e incapacitantes, aprendidas no decorrer da minha vida.

Mas como eu estava decidida, e tinha 100% da minha atenção aos meus sentimentos e comportamentos, comecei a identificar essas sensações e não permitir que elas dominassem a situação. As novas sinapses só começariam a se formar depois de um tempo, então comecei a usar a técnica “dos 21 dias” que pode ser, 28 ou 40. Mas escolhi 21 dias, que consiste em fazer a mesma atitude positiva ( ir para academia por exemplo), por estes 21 dias consecutivos, até se formar um novo hábito em mim. E quando eu falhava, voltava no dia 01.

Claro que tudo isso eu fazia (faço) com muita amorosidade e carinho, pois afinal, se eu fosse uma paciente minha, jamais seria dura demais com ela. Então, a cada pequeno deslize, eu me compreendia e ao contrário da voz de culpa que sempre aparecia nos meus erros, eu me acalmava e dizia: 21 dias, ou o tempo total da mudança que eu havia determinado. E quando eu estava (estou) indo bem, eu me compensava com algum agrado. Uma roupa nova, ou uma ida ao salão de cabeleireira.  Pode parecer pouco para quem é acostumada a ir sempre ao salão, mas para uma pessoa que havia se abandonado por completo, era um carinho impar.

Assim as coisas começaram a fluir. Meus sentimentos começaram a mudar e dentro de mim, o sentimento de gratidão e de esperança de um novo amanhecer, começou novamente a surgir.

Somos mesmo 100% responsáveis por tudo que nos acontece…

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Quem vê cara, não vê coração… Cap. 21.

Sempre almoçávamos juntas num dos restaurantes da rede…

Quando eu aceitei o trabalho nessa rede de hipermercados fiquei orgulhosa, pois a tinha como uma das mais conceituadas empresas do ramo. Claro que este conceito se baseava na minha visão como cliente de um único hipermercado e que na verdade só ia lá quando combinávamos de almoçar eu, minha irmã e minha mãe no restaurante deste mercado na cidade delas, o qual é muito bonito, grande, bem organizado enfim, para consumidores de classes A e B.

Então, quando nós vivemos uma experiência, em nossos cérebros ficam registradas impressões as quais, todas as vezes em que vivemos novamente algo relacionado àqueles fatos, essas impressões tendem a se sobressaírem, ligando o novo fato ao fato antigo devido as sinapses que nosso cérebro faz, ou seja, para mim toda a rede era igual em qualquer lugar do país e a farmácia que eu iria trabalhar era também classe A…

O que ocorreu é que eu não queria enxergar que aqui nesta cidade, as coisas não eram bem assim e ignorei os sinais  vermelhos (também chamados intuição) que recebi desde o início do trabalho, quando fui avisada de última hora que iria começar a trabalhar no dia seguinte, tendo que me desbancar de uma cidade para outra “desarvorada” pois fiquei aguardando quinze dias o contato do RH  para assinar o contrato e ninguém sequer se manifestou, fazendo somente na última hora. Tudo bem que quando vamos trabalhar temos que ficar de sobreaviso, mas o respeito ao profissional tem que ser equivalente ao respeito do mesmo pela empresa.  E olha que um dos lemas de lá é: Respeito ao indivíduo, coisa que não tive o prazer experimentar na minha vivência profissional, não só comigo, mas com  todo o seu staff, que trabalhava descontente, mal humorado, sem treinamentos e consequentemente sem trato para com o cliente que por consequência, estava sempre insatisfeito.

Protecionismo, sobrecarga de trabalho, desvio de função, sujeira, desorganização, atraso de pagamentos e dias trabalhados, que além de todas as nossas atribuições, tínhamos que ficar correndo atrás de nossos direitos; líderes (chefes) sem capacitação e despreparados, disse-me-disse de funcionários, até alimentos com corós (larvas) eu vivenciei ali ( a atendente do meu horário chegou a comer um tadinha, eu graças a Deus vi antes, eca!). O alimento que nos proporcionavam no refeitório no mínimo me dava diarreia, sendo que tive que parar de me alimentar lá e passar a comer lanches todos os dias…

O trabalho do farmacêutico em drogaria já é um trabalho estressante. Convivemos com pessoas doentes e fragilizadas que chegam até nós buscando além do seu medicamento, uma atenção e um carinho devido a sua condição de saúde, então acabamos por exercer vários papéis profissionais, tendo as vezes que passarmos por médicos, psicólogos, amigos, pais, confidentes, fazer a nossa própria função que é a orientação do uso adequado de medicamentos e mais a parte interna e burocrática, que vai desde dar entrada no sistema das notas fiscais de medicamentos, verificar e planilhar as datas de validades, pensar em estratégias de atrair clientes, cuidar com medicamentos controlados (que para quem não sabe, podemos ser presos caso haja alguma irregularidade no armário) e mais a pressão que nos é imposta para aumentarmos as vendas.

Os dias foram se passando e meu cansaço aumentando devido a todo trabalho imposto, e ali ninguém tinha uma função específica, ou seja, todos faziam tudo ( e tudo ao mesmo tempo), imagina eu que sou toda metódica, detesto que mexam nas minhas coisas ter que conviver todos os dias com notas fiscais que uma hora eram colocadas num lugar, outra hora não se achavam mais em lugar nenhum, e nunca ninguém sabia. As coisas ali dentro tinham vida própria pois se escondiam e ninguém mais as achavam, e junto com toda essa desorganização, ainda o sobe e desce da escada para pegar os malditos pacotes de fraldas que ficavam “no andar superior” dos armários e fora as tais “ações” que tínhamos que fazer aos sábados para aumentar as vendas (que nem vou falar disso pois seria mais um post e esse já ficou longo demais).

Eu não conseguia fazer mais nada, só ia do trabalho para casa e da casa para o trabalho, pois meu cansaço era tanto que eu só conseguia chegar, desmaiar em cima da cama e navegar na internet em alguma coisa que me tirasse o foco daquele inferno. Trabalhava com uma única calça jeans que eu ia a semana toda, um tênis preto horroroso no pé, meu cabelo sempre molhado preso com um coque ou então sujo sem lavar a semana toda, enfim, sem nenhum estímulo para cuidar da minha aparência.

Todos os dias eu levantava e pensava, hoje peço a demissão, mas chegando lá eu me continha pensando no dinheiro e em toda a mudança que tinha feito na minha vida para estar ali e ainda as vozes interiores de desvalor que me diziam: Você é ingrata, quantas pessoas queriam estar no seu lugar?  Acho que se alguém pudesse saber antes de entrar, nenhuma escolheria estar ali, pois todos que saem dessa empresa, saem processando e isso não é um caso endêmico, é epidêmico mesmo, ou seja é a nível nacional (Fontes seguras).

Trabalhávamos em cinco funcionários na farmácia e em junho deste ano, a farmacêutica intermediaria saiu, acarretando ainda mais funções para mim, que fazia já o horário de maior fluxo de movimento, que é o vespertino-noturno, ou seja, além de tudo eu ainda pegava o vuco-vuco, e depois a atendente da parte da manhã saiu de férias, o que me fez mudar meu horário para cobrir o almoço da RT (farmacêutica responsável), mas continuei firme, porque apesar de tudo que estava errado lá, eu não consigo fazer nada que possa prejudicar os outros, só que nessa eu me prejudicava…

Então a gota d’água foi quando, passado dois meses sem a contratação de outra farmacêutica (porque além de ser tudo moroso, tudo é feito através de aberturas de “chamados” que para mim eram “chamados para o além” já nunca eram ouvidos, pois saí de lá e ainda não tinham contratado outra farmacêutica), o filho da atendente que fazia o mesmo horário que eu, ficou doente e a mesma teve que se ausentar do trabalho por dez dias… Trabalhei neste período eu e a RT, sendo que eu fazia sozinha até as 22h, tendo que no final da noite fechar os caixas, retirar o lixo e levar o dinheiro no setor do cofre que ficava a uns duzentos metros dali. Ia correndo e voltava para sair pela mesma porta que entrava, pois não podia sair com a bolsa particular pela passagem do cofre… vai vendo…

Nosso corpo é uma máquina maravilhosa, mas é apenas uma máquina emprestada a qual precisamos cuidar da sua manutenção que envolve a parte física, mental e espiritual (não ligue isso a religiosidade), e nesses nove meses que fiquei ali, eu me descuidei de TODAS essas áreas. Não me alimentava direito, não estava feliz, não tinha disposição para minhas práticas espirituais (oração, meditação, mantras, respiração etc), enfim, eu levava meu corpo ao seu limite pensando apenas no dinheiro que recebia daquele trabalho.

Quando as duas atendentes voltaram ao serviço e retornamos ao super sistema de trabalho (a “organização” onde todo mundo faz tudo e tudo ao mesmo tempo) eu despenquei. Cheguei ao meu limite quando vi caixas e caixas de medicamentos para conferir data por data de validade, planilhar e guardar nas prateleiras ( e não posso falar mais sobre isso sem comprometer a RT sobre as irregularidades que existiam ali dentro, as quais éramos obrigadas a participar e se eu tiver que denunciar que seja no local certo; mas em mim fica a triste constatação de como as pessoas “vendem até suas almas ao diabo” em troca de uma quirela a mais e a aprovação de uma supervisão), fora que eu não tinha voz ali dentro, eu e nada era a mesma coisa.

Era uma terça-feira, estava no meu carro pedindo a Deus que me desse forças para suportar aquilo até o final do ano, quando acabaria a minha pós graduação, mas quando entrei lá, tudo que consegui fazer foi chorar e pedir demissão…

O fundo do poço. Cap. 20

A procrastinação é uma forma covarde de adiar a vida, mas era o que eu fazia, não no sentido de que eu ficasse paralisada sem tomar nenhuma atitude, mas no sentido de não fazer o que eu realmente tinha que e queria fazer. Com isso, ia repetindo as experiências, que quase sempre me machucavam e me levavam a vários mergulhos em poços profundos, chegando não só uma vez ao fundo dele, mas muitas e muitas vezes.

É claro que, quando você chega ao fundo do poço, você pode escolher entre se entregar a morte (emocional) de uma vez, coisa que muitas vezes tive vontade de fazer, ou então, dar um impulso e subir novamente para a luz, e assim eu fiz, em todos os fundos de poços que eu cheguei. Impulsionei e subi de novo.

Mas até quando eu ficaria nesse sobe e desce em poços, oras fundos, oras rasos, oras sem nenhuma água, com queda livre no chão?  Algumas pessoas têm necessidade de viver dessa forma e atrai situações complicadas para sentirem-se vivas, desafiadas e sendo parte de alguma coisa. Eu era assim, aprendi assim.

Para mim, lidar com o erro sempre foi muito complicado. Eu tinha que ser perfeita para ser amada (por quem, se eu fugia dos vínculos? Talvez por mim mesma…), então, quando algo dava errado, na minha concepção de erro (porque em porcentagens de erros e acertos, mais acertei do que errei, mas eu não conseguia ver isso), eu queria apagar como que passando uma borracha, e assim eu mudava de casa, mudava de trabalho, mudava de curso, mudava de cidade, mudava de país… Era uma corrida atrás de uma perfeição que nunca chegaria e pior, eu poderia até tentar apagar mudando o externo, mas as marcas deixadas na folha da minha vida, sempre me fariam lembrar do que havia “escrito” lá atrás.

Não estou dizendo que seja errado mudar e buscar novos horizontes, eu adoro viajar, isso faz parte da minha personalidade e curiosidade de vida, mas as mudanças frenéticas no sentido de urgência sem tê-las é a questão e foi mais uma vez neste contexto que aceitei uma proposta de trabalho numa farmácia em Brusque ( cidade onde estou agora). A farmácia pertence a uma rede americana de hipermercados muito conhecida no Brasil e eu me propus a trabalhar nela até terminar a pós em acupuntura, guardando um dinheiro para montar meu consultório.

Quando eu falei em procrastinação no começo do post, eu me referi a que poderia começar a atender alguns pacientes em casa, afinal eu tinha ali um quarto disponível, era só comprar uma maca e então, na pior das hipóteses, não ter muitos clientes, mas afinal, quem já começa uma atividade tendo uma clientela formada? Mas eu não sabia lidar com o “não deu certo como eu programei” e então, levantei meu acampamento e vim para Brusque.

Eu procrastinava o que realmente tinha que fazer, e assim, caia em poços oras fundos, oras rasos, oras sem qualquer água, me estabacando no chão…

Assim inciou-se o meu mais recente e último (espero) fundo de poço.

Independência ou morte? Em Balneário Camboriú… Cap. 18

BC30
De volta a Balneário Camboriú, eu fingia viver, como uma barata tonta após um jato de inseticida…

Continuando sobre paradigmas…

Desde os mais remotos tempos existe o homem livre e o homem escravizado, onde o mais fraco sucumbe ao mais forte. Vimos isso na história da humanidade, como na Bíblia, onde o que mais se lê é sobre “o povo de Deus” que sempre está subjugado pela soberania tirana. Vemos também na história política, principalmente no nosso país, onde uma minoria detentora do poder mantém o povo escravizado num sistema de impostos e roubalheiras para benefício próprio.

Mas também vemos que a libertação sempre ocorre de alguém revoltado com o jugo e que dá a própria vida em função de mudança. D. Pedro, Moisés, Mahatma Gandhi, Kailash Satyarthi* e muitos outros revoltados da história, neste caso, a luta foi em prol de muitos.  Claro que não precisamos nos transformar em grandes líderes libertadores, a menos que isso seja sua real missão, mas podemos libertar a nós mesmos de jugos que nos escravizam, jugos sutis como escrevi no último post, os quais temos que ficar bem atentos para enxergá-los e então, após decisão intima muito bem estruturada, mudá-los.

Só que eu tinha anestesiado minha consciência… Vivia ainda na escuridão sem propósito real, deixando literalmente a condução dela nas mãos de outras pessoas, de qualquer pessoa aliás.  E como eu não pilotava minha vida, e ninguém o quer fazer(e não é obrigado, já que tem a sua própria para conduzir),  era como um carro desgovernado numa ladeira e é claro que todas as decisões tomadas dessa forma só podem trazer sofrimento.

No desespero de sair do cortiço, eu não me dei tempo suficiente para encontrar um apartamento legal e acabei alugando um quarto no apartamento de um moço que estava dividindo o aluguel. O valor que ele me cobrou era bem mais caro que um apartamento só para mim e esse valor ainda subiria em alta temporada, em função da energia, dizia ele… Mas eu estava cega na minha escravidão e sem perceber, ia amarrando mais e mais minha vida.

Eu “vivia a morte”. Talvez você pense que este termo seja muito forte ou exagerado, mas não. Todos os dias morremos um pouco quando nos afastamos de nós mesmos, de nossos reais valores, de nossa verdadeira missão quanto pessoas. E isso, mais cedo ou mais tarde acaba gerando mudanças para nossos corpos, material e espiritual, acarretando em algum tipo de “doença”.

Apesar da convivência não ser ruim, dele ser um bom moço e além de tudo vir somente a cada quinze dias, só o fato de saber que ele poderia chegar a qualquer hora, não me deixava a vontade e também junto com isso, ainda aquela sensação de ser uma barata tonta rodando após um jato de inseticida e agora sem saber o que fazer e nem para onde ir. Tinha me perdido TOTALMENTE do meu objetivo inicial de quando vim de SP, mais o fato do valor que ficou pesado para meu orçamento pois eu só tinha minhas reservas e não estava trabalhando…

Mas eu estava em Balneário Camboriú e eu não podia deixar de “curtir a cidade”, que é maravilhosa e tida como a segunda melhor cidade com qualidade de vida em SC.  Se bem que, sinceramente, eu não sei baseada em qualidade de vida para quem, já que para mim é uma cidade congestionada, com um trânsito infernal, cara e agitada demais para meu gosto. Mas como eu disse, nessa época estava cega e vivendo pela opinião e valores de qualquer um que quisesse dirigir minha vida por mim… Eu mentia para mim mesma que  vivia.

Tenho uma amiga de muitos anos que mora lá, a Simone, então saíamos as vezes a noite para papear e durante o dia, eu caminhava nas praias e conhecia a região.

Isso durou três meses, quando um resquício de consciência me fez levantar a bunda da cadeira e procurar alguma coisa mais barata ou então alguma coisa para trabalhar. Não encontrei nem uma coisa e nem outra, talvez (com certeza) pela minha vibração energética e também, porque não era ali que eu queria estar…

Como já estava perdida mesmo, perdido por perdido, TRUCO! E após ficar dividida entre uma casa em Piçarras eu aluguei um apartamento em Penha (sem móveis) e comprei tuuuuudo de novo… Vai vendo! O apartamento era no térreo de um pequeno prédio de três andares, onde moravam em cima a filha em um apartamento e a mãe em outro. E no fundo da garagem, morava uma família, que era muito querida, mas não… ainda não tinha dado certo, afinal minha vibração só atraia coisas que confirmavam minhas crenças momentâneas.

Eles fumavam muito, e o cheiro de cigarro vinha sempre para o meu apartamento, que tinha uma janela ligada diretamente com a janela da casa deles! E as vezes faziam churrasco a noite na garagem da casa, que TAMBÉM claro, entrava toda a fumaça dentro do meu apartamento, e TAMBÉM tinha o esgoto da casa, não sei direito se era a caixa de gordura, mas o fato é que o cheiro era insuportável. Aguentei ali por um mês…

Rumo à… Navegantes, de novo??

Até o próximo post!

*Se tiver tempo, assista o vídeo onde Kailash Satyarthi conta como transformou sua raiva em benefício para a humanidade, o que lhe concedeu o prêmio nobel da paz: LINK

Fotos de Balneário Camboriú: LINK

Navegantes – Preste sempre atenção e não se perca pelo caminho… Cap. 17

É difícil quebrar paradigmas e mudar a forma de ver um mundo ao qual fomos condicionados e apesar de vermos todos os dias que o mundo está mudando nem sempre conseguimos acompanhar esse processo, pois a mudança mais difícil é aquela que precisamos fazer dentro de nós mesmos, e se não determinarmos isso, ficamos girando em círculos, num movimento de rotação. E claro que essa mudança interna depende de pegarmos as rédeas de nossas vidas em nossas mãos e assumirmos em cem por cento a responsabilidade de levá-la para frente.

Quando eu sai do interior de São Paulo para Santa Catarina, eu tinha plena convicção de querer viver fazendo o que amava e trabalhar em drogaria não era definitivamente o que eu queria.

Eu tenho várias possibilidades de trabalho e sustento, mas a tentação de colocar a vida no piloto automático e me vitimizar estava impregnada dentro de mim, como uma marca d’água.  Esse tipo de carimbo não tem a tinta que escancara, o que seria muito mais fácil identificar, mas  a sua sutileza de timbre faz com que, se não estivermos atentos, caiamos na armadilha de vivermos sempre os mesmos erros.

Não que seja errado trabalhar em drogaria, mas esse não é o trabalho que me realiza, mesmo porque, sou muito livre e ficar presa dentro de um local, para cumprir horários e ser subordinada a outras pessoas, não é para mim, eu preciso de liberdade para expressar minha criatividade. E também, porque tenho uma visão de saúde-doença que passa longe da indústria farmacêutica, onde o medicamento é colocado como o único meio de cura das pessoas.

Para mim, a doença não existe originariamente. Ela é fruto de caminhos emocionais errados que tomamos no decorrer de nossas vidas, mas também não sou contra tomar medicamentos, pois uma vez instalada a doença, tem que tratar. Mas tudo isso é muito relativo e tema para um próximo post.

O fato é que, apesar de meu coração me dar o tempo todo a direção para ser feliz, e expressar quem eu realmente sou, eu me perdi pelo caminho muitas e muitas vezes na vida, me levando a girar em torno de mim mesma, como um cachorro correndo atrás do seu rabo.

O dinheiro NÃO estava acabando, mas o fato de eu estar simplesmente VIVENDO, despertou em mim todo o aprendizado que tive durante minha vida, o aprendizado de escassez. E passei a ignorar MAIS UMA VEZ o meu real objetivo de vida, a minha real missão aqui nesta terra e isso é um ciclo vicioso que se for quebrado conscientemente, nos traz uma vida de sofrimento, ou no mínimo, de altos de baixos emocionais, como ocorreu comigo, a vida toda…

Então, mais uma vez, aceitei avidamente um convite para trabalhar numa cidade no norte do estado, em uma drogaria de bairro, a qual eu daria plantões somente aos finais de semana, me enganando mais uma vez com a possibilidade de intercalar meus estudos e meus projetos, com um dinheiro fixo por mês. A ilusão da segurança.

Quando você se perde do seu caminho verdadeiro, começa a vibrar em esferas energéticas muito distantes daquelas as quais lhe trarão felicidade, então, começa a atrair todo tipo de situação que vem confirmar a sua vibração.

O dono da farmácia, me prometeu uma casa, era um chalé, onde atrás dele moravam duas famílias. Era um cortiço. Mas eu havia me distanciado tanto da minha essência, que mesmo que ela gritasse que aquilo ia me trazer infelicidade, eu não ouvia. Note também, que esse distanciamento não demora muito para acontecer. É o tempo do piloto automático ser acionado, e pronto. Você já se perdeu.

Mudei de mala e cuia, mais uma vez, de cara contra o muro.

Com uma semana de casa nova, já vi que minha estadia ali seria um inferno. O casal do apartamento superior eram loucos, cantavam alto, brigavam (quando eu digo brigavam, entenda-se baixaria), pagode no último até altas horas e de manhã música gospel, mas tudo no mais alto e bom som!

Eu adoro animais, mas eles tinham um cãozinho filhote que deixavam amarrado O DIA TODO embaixo da janela DA MINHA CASA, e este filhote chorava de manhã até a a manhã do outro dia, fora o cheiro de xixi e cocô de cachorro que subia para meu quarto…

Bom, esses eram o casal do apartamento de cima, o casal do apartamento de baixo, era uma senhora crente, casada com um homem alcoólico que TAMBÉM chegava falando alto e brigando com a tal. Ele TAMBÉM tinha uma cadela que ficava presa o dia todo, e a soltava a noite, e esta fazia cocô pela área comum das casas, que digamos era muito mal cuidada, cheia de mato, madeiras de reformas, televisão velha, etc, etc. E uma gatinha que as vezes ia me visitar. Tadinha, ela foi a única coisa boa naquele pesadelo. O seu dono, o bêbado, a chamava de misse-misse…

misse misse
Misse-misse, foi a única coisa boa que aconteceu nesse período.

A casa que eu morava era um chalé de madeira e a noite, todos os cupins e baratas saiam para fazer festa. E é claro, eu passava algumas noites em claro, com o barulho dos vizinhos, dos cupins e tentando encontrar as baratas para não ter que dividir minha cama com elas…

Bom, mas já estava lá e aos finais de semana, ia para a farmácia, só que nem preciso dizer que não deu certo, devido as irregularidades que eles costumavam fazer e que vão completamente contra a minha conduta ética. Medicamentos controlados escondidos embaixo do caixa para serem vendidos sem receita, aplicação de injetáveis também sem receita, aparelhos de aferição de pressão e de glicemia quebrados ou até enferrujados, enfim…

Claro que não deu certo… Minha estadia foi meteórica. Acho que não deu nem um mês.  Para onde eu fui?

Balneário Camboriú… Como disse, quando nos perdemos de nós mesmos, giramos em círculos…

Poucas fotos de Navegantes: LINK

A nova fase! Cap. 12

Praia dos Ingleses
Até que enfim uma fase boa!

Já instalada na nova casa, tratei de conhecer meus vizinhos e logo fiz amizade com uma moça muito querida que morava no andar superior e que tinha dois gatinhos e como eu amo animais, logo vi que se tratava de gente boa! As vezes ainda falo com ela pelas redes sociais, e tenho certeza que falaremos pessoalmente, pois ainda não vivi tudo o que queria em Floripa…

Tratei de começar a organizar minha  vida e isso incluía comprar alimentos saudáveis, por exemplo, muita salada, arroz integral, etc… É claro que eu comprava também uma cervejinha, porque afinal, ninguém é de ferro e não acredito que devamos ser radicais…

Acordava logo cedo mas dava uma boa morgada injetando minha cafeína matinal, junto com a indispensável navegação virtual (minha cafeína emocional) e como ainda não tinha chegado o verão com o clima ainda um pouco nublado e um vento meio gelado e;  como eu estava totalmente disponível para mim mesma, me dava o direito de vadiar um pouco…

Então colocava um biquíni com um short por cima, calçava uma havaianas, empunhava meu chapéuzinho, uma canga, e lá ia eu, aproveitar a vida! (suspiros). Difícil colocar em  palavras a sensação de liberdade e de realização de um momento como aquele.

Comecei por conhecer os arredores da praia da Barra da Lagoa, pois trabalhei ali mas não dediquei tempo para passear por lá.  Andava pelas ruelas, conhecendo as lojinhas de artesanatos e artigos praianos e é claro, caminhava pela praia, deitava na areia, as vezes sentava sentindo o cheiro de mar, olhava as pessoas, as gaivotas, os pescadores, tudo enfim era motivo de minha atenção. Todo dia era uma novidade e comecei a viver em pleno êxtase de realização e felicidade, era a melhor fase da minha vida! Todo sentimento ruim e todas as frias que entrei desde que sai de SP,  tinha finalmente compensado.

O fato de estar só,  também possibilitava um mergulho para dentro de mim mesma refletindo qualquer coisa que eu quisesse, desde a morte (em função da perda recente de minha mãe), até a vida e sua infinitude…

Ali entendi a frase que diz: É nas pequenas coisas que está a felicidade. Claro que eu estava em Floripa e não há como negar que o local contribuiu em muito para eu alcançar meu nirvana… Mas também vi, que se pode fazer isso com muito pouco dinheiro…

Meus dias eram assim, cheios de preguiça sem contar o tempo, praia, passeios de carro, boa comida, bons papos com meus vizinhos, risadas, ouvindo boa música intercalada com o silêncio que possibilitava minha solitude (para mim, extremamente necessária), e meus livros e estudos (tinha começado enfim a pós graduação em Acupuntura).

Estava ressignificando a vida!

P.S. Se quiser ver mais fotinhos clica aqui:  Mais da Barra

Ilha da magia! Cap. 11

Bom, finalmente estava indo para algum lugar, viver aquilo que tinha planejado. Mas é claro que antes tive que cometer mais um errinho, sim, só para ter certeza que estava mesmo no caminho errado… Enviei o currículo para uma pequena farmácia em Florianópolis na Barra da Lagoa, eram apenas 4 horas diárias, sendo das 18h00 as 22h00min., então pensei, terei o dia todo livre para ir a praia e buscar novos objetivos, como escrever meu livro, fazer meu blog, meus cursos, estudar para minha pós,  etc.  Porque não fiz isso logo de uma vez?  

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Barra da Lagoa – Florianópolis Um pequeno pedaço do paraíso!

Me instalei num apartamento no bairro Rio Vermelho, já que na Barra da Lagoa não havia nenhum disponível e este outro bairro ficava a apenas 15 minutos de lá, era barato, não era nenhum muquifo, ou seja, era habitável. Na verdade, eu queria encontrar alguma coisa mobiliada, mas devido ao senso de urgência que sempre me levou às minhas quebradas de cara, ou seja, minha precipitação, acabei alugando aquele mesmo e indo comprar uns poucos móveis para iniciar minha nova estadia.

Fui a uma loja de móveis usados e comprei o básico, porque dentro de mim tinha um sentimento oculto  de “logo vou embora”, sentimento que talvez tenha se instalado em função das experiências frustradas anteriormente.  E então finalmente me instalei, não sem antes me certificar de que o local era silencioso e tranquilo, para começar meu trabalho na farmácia e minha pós graduação em Acupuntura.

Mas parece que eu tinha vocação para me enfiar em enrascada, não que ele (o dono da farmácia) fosse uma má pessoa, eu acredito que todos nós trazemos vários “eus” dentro de nós, sendo que se manifestará aquele que será mais alimentado através de nossos sentimentos, mas infelizmente ele se comportava como muitos proprietários de pequenas farmácias, que já estão no mercado a alguns anos, antes da profissão de farmacêutico tomar a proporção que tomou exigindo com isso a sua autonomia dentro de todas as farmácias.

O fato é que além de seu comportamento não ser muito condizente com minha proposta profissional, ele ainda ouvia missas desde a hora que eu chegava até depois que eu ia embora. Não tenho nada contra missa, já fui católica e respeito todas as crenças, mas ele ouvia aquelas missas com a TV no último volume, e eu tinha que competir com ela para atender aos clientes. Acabei por ficar ali apenas um mês e como finalmente estava começando o verão, mandei tudo à merda, tudo mesmo: trabalho, projetos, blogs, regime, e fui FINALMENTE, curtir as praias!

Então, após quase cinco meses de peregrinação desde a chegada em Balneário Camboriú  até quando cheguei até a Barra da Lagoa, eu consegui colocar meus pezinhos na areia e relaxar, podendo SENTIR tudo aquilo que a vida estava me proporcionando. Foi então que resolvi me dar  um tempo, sem trabalhar, só estudando e VIVENDO!

pé na areia
Finalmente meus pés na areia!!

Agora a coisa começa a ficar legal!!

Até o próximo post!!

E agora? Cap. 10

Após ter chorado a noite toda, acordei de manhã com a sensação de ter sido esmagada por um trator, mas levantei e fui para o aeroporto em busca de uma despedida que não houve, pois cheguei tarde demais e ela já havia sido enterrada, o que me fez pensar que a vida me poupou, deixando comigo a lembrança do nosso último contato, portanto tenho minha mãe viva comigo, como se a qualquer quarta-feira ou sábado, falarei com ela ao telefone e assim sigo cultuando a gratidão todos os dias.

O fato é que apesar da dor e da perda da maior referência de nossas vidas, temos que continuar vivendo e resolvendo as coisas práticas; e eu tinha poucos dias para isso, já que tinha que retomar o trabalho, que ocorreu num misto de amortecimento emocional junto com a culpa por estar longe neste momento e não ter podido ajudar de alguma forma, salvando-a talvez, como se eu fosse onipotente, tendo em minhas mãos, dom de vida ou morte e não que isso estivesse contido no fluxo natural da vida.

Passado os dias de luto junto com meus irmãos, retornei a São José e ao trabalho, que pasmem, fui recebida pela pseudo-subgerente me questionando porque eu fui para a cidade de minha mãe, se ela já havia sido enterrada! Será que eu estava mesmo ouvindo isso? Sim, ela e a gerente, me questionando e exigindo de mim um comportamento comercial, como se eu tivesse enterrado um passarinho. Bom, se eu já não estava feliz lá, essa foi a gota d’água.

Mas a vida não dá trégua quando quer que aprendamos alguma coisa (no final de tudo isso, aprendi sim, e contarei o que e como, na sequência dos posts claro!).

Bom, a lei de Murphy diz: Qualquer coisa que possa correr mal, ocorrerá mal, no pior momento possível” ou resumindo, se uma coisa pode dar errado, ela dará!! E minha vida estava seguindo fielmente esta lei. Se não bastasse tudo que estava acontecendo, uma manhã, ao voltar do super mercado, cheia de sacolas na mão fazendo malabarismos para levar até o apartamento que ficava a meia quadra da garagem, fui fechar o portão de ferro enferrujado da casa e este bateu no meu tendão de aquiles, fazendo uma lesão significativa no local que inchou na hora formando um lindo hematoma…

Fui trabalhar com o pé inchado, mancando, sem poder colocar sapato aberto que era uma exigência da farmácia e claro, não fui recebida com incentivos a procurar um  médico, muito pelo contrário, me fizeram trabalhar ignorando totalmente o meu pé machucado, que ao final do dia, parecia um pãozinho assado.

No outro dia, não podia andar de dor e acabei procurando um pronto atendimento, que me liberou do trabalho. Foi aí que resolvi sair de lá, pedindo a demissão, mas antes, fui levando atestados médicos até meu pé sarar totalmente e assim ganhava tempo e um dinheirinho a mais…

Com o meu pedido de demissão, resolvi levantar acampamento de novo, indo embora de São José, já que ali não tinha nem praia, e não correspondia em nada com o meu principal objetivo que estava digamos, a anos luz de distância, então resolvi ir para Florianópolis e finalmente, curtir a tão sonhada vida na praia!

pe na estrada
Rumo a Florianópolis, em busca da felicidade!

Era início de primavera e a vida começaria a florir, ou quase…

No próximo post!

Será que podia piorar? Cap 9

Ajeitadas as coisas no apartamento, fui em busca da seguradora para pegar o carro reserva já que eu teria que começar a trabalhar em uma semana. Engraçado como as coisas acontecem inesperadamente e a vida pode mudar da noite para o dia, então aprendi que não vale a pena ficar preso ou apegado ao que quer que seja, pois tudo se desintegra em fração de segundos. Tudo mesmo…

Iniciei meu trabalho já com problemas, pois a referida empresa exigia um determinado tipo de roupa que eu não tinha, sapatos que eu não costumava usar, entre outras coisas que foram os motivos suficientes para criar antipatia por parte da gerente e da moça que era seu braço direito, e não adiantou muito eu dizer que estava aguardando o primeiro pagamento para adquirir algumas peças novas pois não havia muita compreensão por parte delas. Nesse ínterim comecei a sofrer assédio moral da parte da gerente, que oras me ignorava, oras me tratava com desprezo, oras não respondia o que eu falava, oras  me tratava de forma agressiva, sem motivo. Depois que saí de lá, vim a saber que ela já tinha vários processos por assédio moral (não era coisa da minha cabeça então…).

Pessoas que passam por cima de tudo, de sentimentos, de necessidades, de valores, por dinheiro, poder e para cumprir uma merda de meta que lhes dá umas quirelas a mais no final do mês. Essa era a gerente de lá. Engraçado como muitas coisas que vivi, me remetem ao livro do pequeno príncipe, do Saint Exupèry (se não leu, leia, vai te abrir a mente para muitas coisas de forma lúdica e simples, pois a princípio parece um livro de estória infantil).

O tempo passou, meu carro ficou pronto, comprei algumas roupas, mas o assédio persistiu e eu fiquei insatisfeita com aquilo. Sou extremamente sensível e não suporto agressividade, pois isso gera em mim o mesmo sentimento e comportamento. O convívio diário com algumas pessoas também, por estarem infelizes, acabava gerando um ambiente de disse me disse e venenos destilando pelas bocas. Não era nem de longe o que eu queria, mas ainda assim me esforçava para manter o emprego, já que a empresa era conceituada na área. Engraçado como somos condicionados a viver coisas padronizadas e é extremamente difícil mudarmos a programação feita em nossas mentes. E minha vida seguia, intercalando casa, trabalho e a mudança para o apartamento térreo, que era melhor, com uma pia grande e como eu adoro cozinhar, foi um grande atrativo.

Falava com minha mãe toda semana, e naquela quarta feira não foi diferente. Liguei para ela, ela reclamou um pouco das coisas como sempre fazia e me disse que estava com sensação de morte, então conversando muito com ela, disse que não ficasse com pensamentos negativos, já que em boa parte da vida a ouvi falar assim, talvez para manipular, talvez por acreditar nisso mesmo ou talvez por realmente sentir,  e para entender melhor a situação vou voltar um pouquinho no tempo. Fazia uns trinta dias ou pouco mais, que um irmão meu, filho do meu pai com a primeira esposa, havia falecido, e ela ficou com isso na cabeça, por ele ser mais jovem que ela, etc. Então, segui o meu raciocínio em cima dessa situação, acreditando que se tratasse apenas de pensamentos negativos da parte dela.

Minha mãe tinha 74 anos, mas era uma mulher forte, andava todos os dias, aliás, se queria fugir dela era só ir até sua casa, pois nunca estava lá. Para se ter uma ideia, ela foi atropelada há uns meses atrás, quando eu ainda morava na cidade, caiu com a cabeça no chão fazendo um corte de 7 pontos e se recuperou prontamente, sem ter um único ossinho quebrado… Minha mãe é tema para um livro, acho que todas as mães o são…

Eu e ela… O último dia das mães juntas… Saudades eternas na certeza de que continuamos juntas, unidas pelo amor e pelo aprendizado que tivemos nessa vida… Obrigada mãe, por tudo.

Falei muito carinhosamente com ela, e ainda ela me disse que gostava muito de conversar comigo, pois eu a acalmava… Antes de desligar nos despedimos, e eu, instintivamente falei:

-Mãe, eu te amo.

-Eu também, te amo, muito, muito, muito, muito, muito…

Foram nossas últimas palavras ditas verbalmente nessa terra.

A vida seguiu seu curso, do trabalho para casa, da casa para o trabalho.

No sábado da mesma semana, eu saí do meu intervalo as 17h30 e fiquei no meu carro que ficava estacionado em frente a farmácia. Eu não costumava ligar sempre para minha irmã, muito menos naquele horário, mas peguei o telefone e resolvi falar com ela. Durante a conversa o outro telefone dela tocou e eu a ouço falar desesperada com meu irmão na linha…

-Oque? oque? A mãe? a mãe oque??  Chorando e gritando…

Eu sem saber (ou será que já sabia?) , perguntava, o que está acontecendo?

-A mãe morreu!! A mãe!!

Acabei por receber a notícia no mesmo tempo em que minha irmã… A vida tem seus caprichos… Eu fiquei sem reação, agia normalmente, com uma calma de quem estava recebendo uma notícia no máximo da morte de um conhecido. Desliguei o telefone na promessa dela ir até a casa dela e me falar o que tinha realmente acontecido.

Após passar algum tempo, liguei novamente e meu sobrinho atendeu o telefone chorando, e dizendo que ela realmente havia falecido. Saí do carro e fui calmamente para a farmácia e disse:

-Vou ter que ir embora, minha mãe morreu.

As pessoas me olhavam espantadas, sem saber se me abraçavam (as poucas pessoas que gostavam de mim), se me davam os pêsames ou oque, já que eu não expressava reação.

Saí, fui para casa, comentei com os proprietários da casa, também sem reação e fui procurar passagem aérea para aquele dia, mas é difícil comprar passagem de última hora, então consegui somente para o outro dia de manhã.

Após passado esse momento de inércia emocional, sozinha no meu quarto a noite, desabei…

A morte é uma coisa estranha, a dor da separação vem de forma intensa que com o tempo se transforma na convivência espiritual no formato de saudades…

Até o próximo post!

Itapema, sem pensar… Cap. 07

Após deixar o “muquifo” e voltar para o hotel, precisava de um novo plano, pois na minha cabeça, Balneário Camboriú estava se tornando caro para o dinheiro que eu tinha levado, e ficar no  hotel por mais uma semana estava fora de contexto.

Claro que ainda tinha dinheiro que poderia me sustentar por mais um bom tempo, mas a minha mente educada para não acreditar em mim e consequentemente em meus sonhos falava mais alto e dessa forma, e por mais que eu tivesse feito tudo premeditado, guardado o dinheiro e calculado os imprevistos, a voz dentro de mim me dizia que eu não sabia o que estava fazendo e que era melhor eu me encaixar nos moldes predeterminados e fazer o que a maioria das pessoas fazem, e assim, deixei a ansiedade e o medo tomarem conta, o que me fez entrar imediatamente no site do CRF (conselho de classe de farmácia) para encontrar um emprego…

O medo é um sentimento paralisante, ele faz com que não nos lancemos de cabeça em nossos sonhos, faz com que nos fechemos e tomemos uma posição cômoda de “deixar que a vida escolha por nós”, ficamos em cima do muro…

Vi uma farmácia precisando de farmacêutico em Itapema, o que me fez ligar imediatamente para lá e marcar uma entrevista e na qual, lá fui eu com meu carro muambeiro. Conversamos e eu coloquei que havia chegado naquela semana e não tinha ainda residência fixa. O proprietário me levou então a um conhecido dele que morava a uma quadra dali, que me alugou um pequeno apartamento de fundos da sua casa, mas estando este sem móveis, fiquei de aguardar que ele comprasse alguma coisa básica para eu morar.

Não, não era nem de longe o que eu queria e nem o que havia planejado, eu estava indo para o lado TOTALMENTE OPOSTO ao meu sonho, que era primeiro me instalar em um local que me proporcionasse qualidade de vida, próximo a natureza, ao mar, iniciar minha pós graduação em acupuntura e somente depois, começar a trabalhar.

Fiquei ali por dois meses, onde me tornei amiga dessas duas famílias e as tenho no mais alto grau de consideração, mas não preciso nem dizer que estava infeliz, pois me deixei levar pelo medo e pela crença negativa no meu potencial.

Primeiro dia, conhecendo a meia praia
Primeiro dia, conhecendo a meia praia, em Itapema

Essa loucura de largar tudo para trás e por o pé na estrada, tem me ensinado muita coisa, uma delas é que se você não acredita em você mesmo, o vida conspira para confirmar sua crença…  Aprendi também, que ficar empoleirado em cima do muro feito uma coruja, virando a cabeça em 180º tentando encontrar uma saída fácil que nos livre da responsabilidade de arregaçar as mangas e lutar pelo que se quer, tem graves consequências.

Por um lado, eu queria viver o meu sonho, meu principal objetivo. Sabia que tinha competência para isso pois tenho uma profissão, aliás muitas, pois tenho mais que uma formação, portanto, tenho infinitas possibilidades de ganho, mas a voz interior da baixa auto-estima era gritante, portanto, atraí na minha vida todo tipo de situação, boas e ruins, como uma luz no escuro que atrai todo tipo de inseto…

Não, decididamente eu não ficaria parada esperando a morte chegar, eu lutaria com todas as minhas forças, e para isso, pedi a demissão e coloquei tudo no carro novamente…

Para onde? Próximo post…