Sobre meus posts…

Um dia chuvoso é só um dia chuvoso, você pode escolher ficar triste com ele, ou aproveitá-lo para fazer muitas coisas, como um bolo no final de tarde para comer com um café, mas você só não pode negar, que é um dia chuvoso…

A raiva é um sentimento ruim e ninguém gosta de lidar com ela, mas o fato é que ela existe em nossas vidas, e queiramos ou não, temos que aprender a lidar com isso e  nossas escolhas nos levam aos nossos resultados sem dúvida, mas nossos resultados também devem ser nossos professores, que nos ensinam a fazer melhores escolhas no futuro.

Tudo que vivi bom e ruim, me serviram para trilhar novos caminhos, e o que escrevo em meus posts não é de forma nenhuma, uma reclamação sobre minha infelicidade ou vitimização quanto ser humano, muito pelo contrário. Sou uma pessoa privilegiada, pois tenho infinitas possibilidades de escolhas.

Sou uma pessoa normal, como todas as outras, com sentimentos bons e ruins, só que coloco minha “cara a tapa” e escrevo o que sinto, sem anonimato. Meus blogs contém meu nome real e falo das MINHAS experiências, deixando livre para quem quiser ou não ler.

O que escrevo é para tentar ajudar pessoas e não prejudicar, tanto que não coloco o nome de nenhuma empresa que trabalhei, pois não é minha intenção denegrir a imagem de ninguém, mas ensinar meus leitores a melhorarem suas escolhas para serem felizes, com um novo caminho mais vibrante e com real sentido para suas existências quanto seres humanos.

Ao contrário do que possa parecer, me sinto grata a cada uma das empresas que trabalhei, pois aprendi com todas, mas também não vou postar contos de Pollyanna com seu jogo do contente, para dizer que minha vida é cor de rosa, sem problemas comuns de seres humanos, que são os limões que a vida nos dá e que deles escolhemos chupá-los puro, fazer uma refrescante limonada ou uma bela caipirinha!!

Namastê!

Quem vê cara, não vê coração… Cap. 21.

Sempre almoçávamos juntas num dos restaurantes da rede…

Quando eu aceitei o trabalho nessa rede de hipermercados fiquei orgulhosa, pois a tinha como uma das mais conceituadas empresas do ramo. Claro que este conceito se baseava na minha visão como cliente de um único hipermercado e que na verdade só ia lá quando combinávamos de almoçar eu, minha irmã e minha mãe no restaurante deste mercado na cidade delas, o qual é muito bonito, grande, bem organizado enfim, para consumidores de classes A e B.

Então, quando nós vivemos uma experiência, em nossos cérebros ficam registradas impressões as quais, todas as vezes em que vivemos novamente algo relacionado àqueles fatos, essas impressões tendem a se sobressaírem, ligando o novo fato ao fato antigo devido as sinapses que nosso cérebro faz, ou seja, para mim toda a rede era igual em qualquer lugar do país e a farmácia que eu iria trabalhar era também classe A…

O que ocorreu é que eu não queria enxergar que aqui nesta cidade, as coisas não eram bem assim e ignorei os sinais  vermelhos (também chamados intuição) que recebi desde o início do trabalho, quando fui avisada de última hora que iria começar a trabalhar no dia seguinte, tendo que me desbancar de uma cidade para outra “desarvorada” pois fiquei aguardando quinze dias o contato do RH  para assinar o contrato e ninguém sequer se manifestou, fazendo somente na última hora. Tudo bem que quando vamos trabalhar temos que ficar de sobreaviso, mas o respeito ao profissional tem que ser equivalente ao respeito do mesmo pela empresa.  E olha que um dos lemas de lá é: Respeito ao indivíduo, coisa que não tive o prazer experimentar na minha vivência profissional, não só comigo, mas com  todo o seu staff, que trabalhava descontente, mal humorado, sem treinamentos e consequentemente sem trato para com o cliente que por consequência, estava sempre insatisfeito.

Protecionismo, sobrecarga de trabalho, desvio de função, sujeira, desorganização, atraso de pagamentos e dias trabalhados, que além de todas as nossas atribuições, tínhamos que ficar correndo atrás de nossos direitos; líderes (chefes) sem capacitação e despreparados, disse-me-disse de funcionários, até alimentos com corós (larvas) eu vivenciei ali ( a atendente do meu horário chegou a comer um tadinha, eu graças a Deus vi antes, eca!). O alimento que nos proporcionavam no refeitório no mínimo me dava diarreia, sendo que tive que parar de me alimentar lá e passar a comer lanches todos os dias…

O trabalho do farmacêutico em drogaria já é um trabalho estressante. Convivemos com pessoas doentes e fragilizadas que chegam até nós buscando além do seu medicamento, uma atenção e um carinho devido a sua condição de saúde, então acabamos por exercer vários papéis profissionais, tendo as vezes que passarmos por médicos, psicólogos, amigos, pais, confidentes, fazer a nossa própria função que é a orientação do uso adequado de medicamentos e mais a parte interna e burocrática, que vai desde dar entrada no sistema das notas fiscais de medicamentos, verificar e planilhar as datas de validades, pensar em estratégias de atrair clientes, cuidar com medicamentos controlados (que para quem não sabe, podemos ser presos caso haja alguma irregularidade no armário) e mais a pressão que nos é imposta para aumentarmos as vendas.

Os dias foram se passando e meu cansaço aumentando devido a todo trabalho imposto, e ali ninguém tinha uma função específica, ou seja, todos faziam tudo ( e tudo ao mesmo tempo), imagina eu que sou toda metódica, detesto que mexam nas minhas coisas ter que conviver todos os dias com notas fiscais que uma hora eram colocadas num lugar, outra hora não se achavam mais em lugar nenhum, e nunca ninguém sabia. As coisas ali dentro tinham vida própria pois se escondiam e ninguém mais as achavam, e junto com toda essa desorganização, ainda o sobe e desce da escada para pegar os malditos pacotes de fraldas que ficavam “no andar superior” dos armários e fora as tais “ações” que tínhamos que fazer aos sábados para aumentar as vendas (que nem vou falar disso pois seria mais um post e esse já ficou longo demais).

Eu não conseguia fazer mais nada, só ia do trabalho para casa e da casa para o trabalho, pois meu cansaço era tanto que eu só conseguia chegar, desmaiar em cima da cama e navegar na internet em alguma coisa que me tirasse o foco daquele inferno. Trabalhava com uma única calça jeans que eu ia a semana toda, um tênis preto horroroso no pé, meu cabelo sempre molhado preso com um coque ou então sujo sem lavar a semana toda, enfim, sem nenhum estímulo para cuidar da minha aparência.

Todos os dias eu levantava e pensava, hoje peço a demissão, mas chegando lá eu me continha pensando no dinheiro e em toda a mudança que tinha feito na minha vida para estar ali e ainda as vozes interiores de desvalor que me diziam: Você é ingrata, quantas pessoas queriam estar no seu lugar?  Acho que se alguém pudesse saber antes de entrar, nenhuma escolheria estar ali, pois todos que saem dessa empresa, saem processando e isso não é um caso endêmico, é epidêmico mesmo, ou seja é a nível nacional (Fontes seguras).

Trabalhávamos em cinco funcionários na farmácia e em junho deste ano, a farmacêutica intermediaria saiu, acarretando ainda mais funções para mim, que fazia já o horário de maior fluxo de movimento, que é o vespertino-noturno, ou seja, além de tudo eu ainda pegava o vuco-vuco, e depois a atendente da parte da manhã saiu de férias, o que me fez mudar meu horário para cobrir o almoço da RT (farmacêutica responsável), mas continuei firme, porque apesar de tudo que estava errado lá, eu não consigo fazer nada que possa prejudicar os outros, só que nessa eu me prejudicava…

Então a gota d’água foi quando, passado dois meses sem a contratação de outra farmacêutica (porque além de ser tudo moroso, tudo é feito através de aberturas de “chamados” que para mim eram “chamados para o além” já nunca eram ouvidos, pois saí de lá e ainda não tinham contratado outra farmacêutica), o filho da atendente que fazia o mesmo horário que eu, ficou doente e a mesma teve que se ausentar do trabalho por dez dias… Trabalhei neste período eu e a RT, sendo que eu fazia sozinha até as 22h, tendo que no final da noite fechar os caixas, retirar o lixo e levar o dinheiro no setor do cofre que ficava a uns duzentos metros dali. Ia correndo e voltava para sair pela mesma porta que entrava, pois não podia sair com a bolsa particular pela passagem do cofre… vai vendo…

Nosso corpo é uma máquina maravilhosa, mas é apenas uma máquina emprestada a qual precisamos cuidar da sua manutenção que envolve a parte física, mental e espiritual (não ligue isso a religiosidade), e nesses nove meses que fiquei ali, eu me descuidei de TODAS essas áreas. Não me alimentava direito, não estava feliz, não tinha disposição para minhas práticas espirituais (oração, meditação, mantras, respiração etc), enfim, eu levava meu corpo ao seu limite pensando apenas no dinheiro que recebia daquele trabalho.

Quando as duas atendentes voltaram ao serviço e retornamos ao super sistema de trabalho (a “organização” onde todo mundo faz tudo e tudo ao mesmo tempo) eu despenquei. Cheguei ao meu limite quando vi caixas e caixas de medicamentos para conferir data por data de validade, planilhar e guardar nas prateleiras ( e não posso falar mais sobre isso sem comprometer a RT sobre as irregularidades que existiam ali dentro, as quais éramos obrigadas a participar e se eu tiver que denunciar que seja no local certo; mas em mim fica a triste constatação de como as pessoas “vendem até suas almas ao diabo” em troca de uma quirela a mais e a aprovação de uma supervisão), fora que eu não tinha voz ali dentro, eu e nada era a mesma coisa.

Era uma terça-feira, estava no meu carro pedindo a Deus que me desse forças para suportar aquilo até o final do ano, quando acabaria a minha pós graduação, mas quando entrei lá, tudo que consegui fazer foi chorar e pedir demissão…

O fundo do poço. Cap. 20

A procrastinação é uma forma covarde de adiar a vida, mas era o que eu fazia, não no sentido de que eu ficasse paralisada sem tomar nenhuma atitude, mas no sentido de não fazer o que eu realmente tinha que e queria fazer. Com isso, ia repetindo as experiências, que quase sempre me machucavam e me levavam a vários mergulhos em poços profundos, chegando não só uma vez ao fundo dele, mas muitas e muitas vezes.

É claro que, quando você chega ao fundo do poço, você pode escolher entre se entregar a morte (emocional) de uma vez, coisa que muitas vezes tive vontade de fazer, ou então, dar um impulso e subir novamente para a luz, e assim eu fiz, em todos os fundos de poços que eu cheguei. Impulsionei e subi de novo.

Mas até quando eu ficaria nesse sobe e desce em poços, oras fundos, oras rasos, oras sem nenhuma água, com queda livre no chão?  Algumas pessoas têm necessidade de viver dessa forma e atrai situações complicadas para sentirem-se vivas, desafiadas e sendo parte de alguma coisa. Eu era assim, aprendi assim.

Para mim, lidar com o erro sempre foi muito complicado. Eu tinha que ser perfeita para ser amada (por quem, se eu fugia dos vínculos? Talvez por mim mesma…), então, quando algo dava errado, na minha concepção de erro (porque em porcentagens de erros e acertos, mais acertei do que errei, mas eu não conseguia ver isso), eu queria apagar como que passando uma borracha, e assim eu mudava de casa, mudava de trabalho, mudava de curso, mudava de cidade, mudava de país… Era uma corrida atrás de uma perfeição que nunca chegaria e pior, eu poderia até tentar apagar mudando o externo, mas as marcas deixadas na folha da minha vida, sempre me fariam lembrar do que havia “escrito” lá atrás.

Não estou dizendo que seja errado mudar e buscar novos horizontes, eu adoro viajar, isso faz parte da minha personalidade e curiosidade de vida, mas as mudanças frenéticas no sentido de urgência sem tê-las é a questão e foi mais uma vez neste contexto que aceitei uma proposta de trabalho numa farmácia em Brusque ( cidade onde estou agora). A farmácia pertence a uma rede americana de hipermercados muito conhecida no Brasil e eu me propus a trabalhar nela até terminar a pós em acupuntura, guardando um dinheiro para montar meu consultório.

Quando eu falei em procrastinação no começo do post, eu me referi a que poderia começar a atender alguns pacientes em casa, afinal eu tinha ali um quarto disponível, era só comprar uma maca e então, na pior das hipóteses, não ter muitos clientes, mas afinal, quem já começa uma atividade tendo uma clientela formada? Mas eu não sabia lidar com o “não deu certo como eu programei” e então, levantei meu acampamento e vim para Brusque.

Eu procrastinava o que realmente tinha que fazer, e assim, caia em poços oras fundos, oras rasos, oras sem qualquer água, me estabacando no chão…

Assim inciou-se o meu mais recente e último (espero) fundo de poço.

Navegantes – Preste sempre atenção e não se perca pelo caminho… Cap. 17

É difícil quebrar paradigmas e mudar a forma de ver um mundo ao qual fomos condicionados e apesar de vermos todos os dias que o mundo está mudando nem sempre conseguimos acompanhar esse processo, pois a mudança mais difícil é aquela que precisamos fazer dentro de nós mesmos, e se não determinarmos isso, ficamos girando em círculos, num movimento de rotação. E claro que essa mudança interna depende de pegarmos as rédeas de nossas vidas em nossas mãos e assumirmos em cem por cento a responsabilidade de levá-la para frente.

Quando eu sai do interior de São Paulo para Santa Catarina, eu tinha plena convicção de querer viver fazendo o que amava e trabalhar em drogaria não era definitivamente o que eu queria.

Eu tenho várias possibilidades de trabalho e sustento, mas a tentação de colocar a vida no piloto automático e me vitimizar estava impregnada dentro de mim, como uma marca d’água.  Esse tipo de carimbo não tem a tinta que escancara, o que seria muito mais fácil identificar, mas  a sua sutileza de timbre faz com que, se não estivermos atentos, caiamos na armadilha de vivermos sempre os mesmos erros.

Não que seja errado trabalhar em drogaria, mas esse não é o trabalho que me realiza, mesmo porque, sou muito livre e ficar presa dentro de um local, para cumprir horários e ser subordinada a outras pessoas, não é para mim, eu preciso de liberdade para expressar minha criatividade. E também, porque tenho uma visão de saúde-doença que passa longe da indústria farmacêutica, onde o medicamento é colocado como o único meio de cura das pessoas.

Para mim, a doença não existe originariamente. Ela é fruto de caminhos emocionais errados que tomamos no decorrer de nossas vidas, mas também não sou contra tomar medicamentos, pois uma vez instalada a doença, tem que tratar. Mas tudo isso é muito relativo e tema para um próximo post.

O fato é que, apesar de meu coração me dar o tempo todo a direção para ser feliz, e expressar quem eu realmente sou, eu me perdi pelo caminho muitas e muitas vezes na vida, me levando a girar em torno de mim mesma, como um cachorro correndo atrás do seu rabo.

O dinheiro NÃO estava acabando, mas o fato de eu estar simplesmente VIVENDO, despertou em mim todo o aprendizado que tive durante minha vida, o aprendizado de escassez. E passei a ignorar MAIS UMA VEZ o meu real objetivo de vida, a minha real missão aqui nesta terra e isso é um ciclo vicioso que se for quebrado conscientemente, nos traz uma vida de sofrimento, ou no mínimo, de altos de baixos emocionais, como ocorreu comigo, a vida toda…

Então, mais uma vez, aceitei avidamente um convite para trabalhar numa cidade no norte do estado, em uma drogaria de bairro, a qual eu daria plantões somente aos finais de semana, me enganando mais uma vez com a possibilidade de intercalar meus estudos e meus projetos, com um dinheiro fixo por mês. A ilusão da segurança.

Quando você se perde do seu caminho verdadeiro, começa a vibrar em esferas energéticas muito distantes daquelas as quais lhe trarão felicidade, então, começa a atrair todo tipo de situação que vem confirmar a sua vibração.

O dono da farmácia, me prometeu uma casa, era um chalé, onde atrás dele moravam duas famílias. Era um cortiço. Mas eu havia me distanciado tanto da minha essência, que mesmo que ela gritasse que aquilo ia me trazer infelicidade, eu não ouvia. Note também, que esse distanciamento não demora muito para acontecer. É o tempo do piloto automático ser acionado, e pronto. Você já se perdeu.

Mudei de mala e cuia, mais uma vez, de cara contra o muro.

Com uma semana de casa nova, já vi que minha estadia ali seria um inferno. O casal do apartamento superior eram loucos, cantavam alto, brigavam (quando eu digo brigavam, entenda-se baixaria), pagode no último até altas horas e de manhã música gospel, mas tudo no mais alto e bom som!

Eu adoro animais, mas eles tinham um cãozinho filhote que deixavam amarrado O DIA TODO embaixo da janela DA MINHA CASA, e este filhote chorava de manhã até a a manhã do outro dia, fora o cheiro de xixi e cocô de cachorro que subia para meu quarto…

Bom, esses eram o casal do apartamento de cima, o casal do apartamento de baixo, era uma senhora crente, casada com um homem alcoólico que TAMBÉM chegava falando alto e brigando com a tal. Ele TAMBÉM tinha uma cadela que ficava presa o dia todo, e a soltava a noite, e esta fazia cocô pela área comum das casas, que digamos era muito mal cuidada, cheia de mato, madeiras de reformas, televisão velha, etc, etc. E uma gatinha que as vezes ia me visitar. Tadinha, ela foi a única coisa boa naquele pesadelo. O seu dono, o bêbado, a chamava de misse-misse…

misse misse
Misse-misse, foi a única coisa boa que aconteceu nesse período.

A casa que eu morava era um chalé de madeira e a noite, todos os cupins e baratas saiam para fazer festa. E é claro, eu passava algumas noites em claro, com o barulho dos vizinhos, dos cupins e tentando encontrar as baratas para não ter que dividir minha cama com elas…

Bom, mas já estava lá e aos finais de semana, ia para a farmácia, só que nem preciso dizer que não deu certo, devido as irregularidades que eles costumavam fazer e que vão completamente contra a minha conduta ética. Medicamentos controlados escondidos embaixo do caixa para serem vendidos sem receita, aplicação de injetáveis também sem receita, aparelhos de aferição de pressão e de glicemia quebrados ou até enferrujados, enfim…

Claro que não deu certo… Minha estadia foi meteórica. Acho que não deu nem um mês.  Para onde eu fui?

Balneário Camboriú… Como disse, quando nos perdemos de nós mesmos, giramos em círculos…

Poucas fotos de Navegantes: LINK

Ilha da magia! Cap. 11

Bom, finalmente estava indo para algum lugar, viver aquilo que tinha planejado. Mas é claro que antes tive que cometer mais um errinho, sim, só para ter certeza que estava mesmo no caminho errado… Enviei o currículo para uma pequena farmácia em Florianópolis na Barra da Lagoa, eram apenas 4 horas diárias, sendo das 18h00 as 22h00min., então pensei, terei o dia todo livre para ir a praia e buscar novos objetivos, como escrever meu livro, fazer meu blog, meus cursos, estudar para minha pós,  etc.  Porque não fiz isso logo de uma vez?  

barra1
Barra da Lagoa – Florianópolis Um pequeno pedaço do paraíso!

Me instalei num apartamento no bairro Rio Vermelho, já que na Barra da Lagoa não havia nenhum disponível e este outro bairro ficava a apenas 15 minutos de lá, era barato, não era nenhum muquifo, ou seja, era habitável. Na verdade, eu queria encontrar alguma coisa mobiliada, mas devido ao senso de urgência que sempre me levou às minhas quebradas de cara, ou seja, minha precipitação, acabei alugando aquele mesmo e indo comprar uns poucos móveis para iniciar minha nova estadia.

Fui a uma loja de móveis usados e comprei o básico, porque dentro de mim tinha um sentimento oculto  de “logo vou embora”, sentimento que talvez tenha se instalado em função das experiências frustradas anteriormente.  E então finalmente me instalei, não sem antes me certificar de que o local era silencioso e tranquilo, para começar meu trabalho na farmácia e minha pós graduação em Acupuntura.

Mas parece que eu tinha vocação para me enfiar em enrascada, não que ele (o dono da farmácia) fosse uma má pessoa, eu acredito que todos nós trazemos vários “eus” dentro de nós, sendo que se manifestará aquele que será mais alimentado através de nossos sentimentos, mas infelizmente ele se comportava como muitos proprietários de pequenas farmácias, que já estão no mercado a alguns anos, antes da profissão de farmacêutico tomar a proporção que tomou exigindo com isso a sua autonomia dentro de todas as farmácias.

O fato é que além de seu comportamento não ser muito condizente com minha proposta profissional, ele ainda ouvia missas desde a hora que eu chegava até depois que eu ia embora. Não tenho nada contra missa, já fui católica e respeito todas as crenças, mas ele ouvia aquelas missas com a TV no último volume, e eu tinha que competir com ela para atender aos clientes. Acabei por ficar ali apenas um mês e como finalmente estava começando o verão, mandei tudo à merda, tudo mesmo: trabalho, projetos, blogs, regime, e fui FINALMENTE, curtir as praias!

Então, após quase cinco meses de peregrinação desde a chegada em Balneário Camboriú  até quando cheguei até a Barra da Lagoa, eu consegui colocar meus pezinhos na areia e relaxar, podendo SENTIR tudo aquilo que a vida estava me proporcionando. Foi então que resolvi me dar  um tempo, sem trabalhar, só estudando e VIVENDO!

pé na areia
Finalmente meus pés na areia!!

Agora a coisa começa a ficar legal!!

Até o próximo post!!

E agora? Cap. 10

Após ter chorado a noite toda, acordei de manhã com a sensação de ter sido esmagada por um trator, mas levantei e fui para o aeroporto em busca de uma despedida que não houve, pois cheguei tarde demais e ela já havia sido enterrada, o que me fez pensar que a vida me poupou, deixando comigo a lembrança do nosso último contato, portanto tenho minha mãe viva comigo, como se a qualquer quarta-feira ou sábado, falarei com ela ao telefone e assim sigo cultuando a gratidão todos os dias.

O fato é que apesar da dor e da perda da maior referência de nossas vidas, temos que continuar vivendo e resolvendo as coisas práticas; e eu tinha poucos dias para isso, já que tinha que retomar o trabalho, que ocorreu num misto de amortecimento emocional junto com a culpa por estar longe neste momento e não ter podido ajudar de alguma forma, salvando-a talvez, como se eu fosse onipotente, tendo em minhas mãos, dom de vida ou morte e não que isso estivesse contido no fluxo natural da vida.

Passado os dias de luto junto com meus irmãos, retornei a São José e ao trabalho, que pasmem, fui recebida pela pseudo-subgerente me questionando porque eu fui para a cidade de minha mãe, se ela já havia sido enterrada! Será que eu estava mesmo ouvindo isso? Sim, ela e a gerente, me questionando e exigindo de mim um comportamento comercial, como se eu tivesse enterrado um passarinho. Bom, se eu já não estava feliz lá, essa foi a gota d’água.

Mas a vida não dá trégua quando quer que aprendamos alguma coisa (no final de tudo isso, aprendi sim, e contarei o que e como, na sequência dos posts claro!).

Bom, a lei de Murphy diz: Qualquer coisa que possa correr mal, ocorrerá mal, no pior momento possível” ou resumindo, se uma coisa pode dar errado, ela dará!! E minha vida estava seguindo fielmente esta lei. Se não bastasse tudo que estava acontecendo, uma manhã, ao voltar do super mercado, cheia de sacolas na mão fazendo malabarismos para levar até o apartamento que ficava a meia quadra da garagem, fui fechar o portão de ferro enferrujado da casa e este bateu no meu tendão de aquiles, fazendo uma lesão significativa no local que inchou na hora formando um lindo hematoma…

Fui trabalhar com o pé inchado, mancando, sem poder colocar sapato aberto que era uma exigência da farmácia e claro, não fui recebida com incentivos a procurar um  médico, muito pelo contrário, me fizeram trabalhar ignorando totalmente o meu pé machucado, que ao final do dia, parecia um pãozinho assado.

No outro dia, não podia andar de dor e acabei procurando um pronto atendimento, que me liberou do trabalho. Foi aí que resolvi sair de lá, pedindo a demissão, mas antes, fui levando atestados médicos até meu pé sarar totalmente e assim ganhava tempo e um dinheirinho a mais…

Com o meu pedido de demissão, resolvi levantar acampamento de novo, indo embora de São José, já que ali não tinha nem praia, e não correspondia em nada com o meu principal objetivo que estava digamos, a anos luz de distância, então resolvi ir para Florianópolis e finalmente, curtir a tão sonhada vida na praia!

pe na estrada
Rumo a Florianópolis, em busca da felicidade!

Era início de primavera e a vida começaria a florir, ou quase…

No próximo post!

Será que podia piorar? Cap 9

Ajeitadas as coisas no apartamento, fui em busca da seguradora para pegar o carro reserva já que eu teria que começar a trabalhar em uma semana. Engraçado como as coisas acontecem inesperadamente e a vida pode mudar da noite para o dia, então aprendi que não vale a pena ficar preso ou apegado ao que quer que seja, pois tudo se desintegra em fração de segundos. Tudo mesmo…

Iniciei meu trabalho já com problemas, pois a referida empresa exigia um determinado tipo de roupa que eu não tinha, sapatos que eu não costumava usar, entre outras coisas que foram os motivos suficientes para criar antipatia por parte da gerente e da moça que era seu braço direito, e não adiantou muito eu dizer que estava aguardando o primeiro pagamento para adquirir algumas peças novas pois não havia muita compreensão por parte delas. Nesse ínterim comecei a sofrer assédio moral da parte da gerente, que oras me ignorava, oras me tratava com desprezo, oras não respondia o que eu falava, oras  me tratava de forma agressiva, sem motivo. Depois que saí de lá, vim a saber que ela já tinha vários processos por assédio moral (não era coisa da minha cabeça então…).

Pessoas que passam por cima de tudo, de sentimentos, de necessidades, de valores, por dinheiro, poder e para cumprir uma merda de meta que lhes dá umas quirelas a mais no final do mês. Essa era a gerente de lá. Engraçado como muitas coisas que vivi, me remetem ao livro do pequeno príncipe, do Saint Exupèry (se não leu, leia, vai te abrir a mente para muitas coisas de forma lúdica e simples, pois a princípio parece um livro de estória infantil).

O tempo passou, meu carro ficou pronto, comprei algumas roupas, mas o assédio persistiu e eu fiquei insatisfeita com aquilo. Sou extremamente sensível e não suporto agressividade, pois isso gera em mim o mesmo sentimento e comportamento. O convívio diário com algumas pessoas também, por estarem infelizes, acabava gerando um ambiente de disse me disse e venenos destilando pelas bocas. Não era nem de longe o que eu queria, mas ainda assim me esforçava para manter o emprego, já que a empresa era conceituada na área. Engraçado como somos condicionados a viver coisas padronizadas e é extremamente difícil mudarmos a programação feita em nossas mentes. E minha vida seguia, intercalando casa, trabalho e a mudança para o apartamento térreo, que era melhor, com uma pia grande e como eu adoro cozinhar, foi um grande atrativo.

Falava com minha mãe toda semana, e naquela quarta feira não foi diferente. Liguei para ela, ela reclamou um pouco das coisas como sempre fazia e me disse que estava com sensação de morte, então conversando muito com ela, disse que não ficasse com pensamentos negativos, já que em boa parte da vida a ouvi falar assim, talvez para manipular, talvez por acreditar nisso mesmo ou talvez por realmente sentir,  e para entender melhor a situação vou voltar um pouquinho no tempo. Fazia uns trinta dias ou pouco mais, que um irmão meu, filho do meu pai com a primeira esposa, havia falecido, e ela ficou com isso na cabeça, por ele ser mais jovem que ela, etc. Então, segui o meu raciocínio em cima dessa situação, acreditando que se tratasse apenas de pensamentos negativos da parte dela.

Minha mãe tinha 74 anos, mas era uma mulher forte, andava todos os dias, aliás, se queria fugir dela era só ir até sua casa, pois nunca estava lá. Para se ter uma ideia, ela foi atropelada há uns meses atrás, quando eu ainda morava na cidade, caiu com a cabeça no chão fazendo um corte de 7 pontos e se recuperou prontamente, sem ter um único ossinho quebrado… Minha mãe é tema para um livro, acho que todas as mães o são…

Eu e ela… O último dia das mães juntas… Saudades eternas na certeza de que continuamos juntas, unidas pelo amor e pelo aprendizado que tivemos nessa vida… Obrigada mãe, por tudo.

Falei muito carinhosamente com ela, e ainda ela me disse que gostava muito de conversar comigo, pois eu a acalmava… Antes de desligar nos despedimos, e eu, instintivamente falei:

-Mãe, eu te amo.

-Eu também, te amo, muito, muito, muito, muito, muito…

Foram nossas últimas palavras ditas verbalmente nessa terra.

A vida seguiu seu curso, do trabalho para casa, da casa para o trabalho.

No sábado da mesma semana, eu saí do meu intervalo as 17h30 e fiquei no meu carro que ficava estacionado em frente a farmácia. Eu não costumava ligar sempre para minha irmã, muito menos naquele horário, mas peguei o telefone e resolvi falar com ela. Durante a conversa o outro telefone dela tocou e eu a ouço falar desesperada com meu irmão na linha…

-Oque? oque? A mãe? a mãe oque??  Chorando e gritando…

Eu sem saber (ou será que já sabia?) , perguntava, o que está acontecendo?

-A mãe morreu!! A mãe!!

Acabei por receber a notícia no mesmo tempo em que minha irmã… A vida tem seus caprichos… Eu fiquei sem reação, agia normalmente, com uma calma de quem estava recebendo uma notícia no máximo da morte de um conhecido. Desliguei o telefone na promessa dela ir até a casa dela e me falar o que tinha realmente acontecido.

Após passar algum tempo, liguei novamente e meu sobrinho atendeu o telefone chorando, e dizendo que ela realmente havia falecido. Saí do carro e fui calmamente para a farmácia e disse:

-Vou ter que ir embora, minha mãe morreu.

As pessoas me olhavam espantadas, sem saber se me abraçavam (as poucas pessoas que gostavam de mim), se me davam os pêsames ou oque, já que eu não expressava reação.

Saí, fui para casa, comentei com os proprietários da casa, também sem reação e fui procurar passagem aérea para aquele dia, mas é difícil comprar passagem de última hora, então consegui somente para o outro dia de manhã.

Após passado esse momento de inércia emocional, sozinha no meu quarto a noite, desabei…

A morte é uma coisa estranha, a dor da separação vem de forma intensa que com o tempo se transforma na convivência espiritual no formato de saudades…

Até o próximo post!

Dando tudo errado… Cap. 08

Quando colocamos o poder nas mãos de outras pessoas, nossa vida tende a parar. O que quero dizer com isso é que, o medo se instala em nós quando deixamos que o poder fique na expectativa e no desejo do que outras pessoas querem de nós, no que elas nos projetam, sejam familiares, cônjuges, filhos, amigos, pastores, professores, enfim… Pessoas que temos em grau elevado de consideração. E associado a isso, uma baixa auto-estima e crença negativa sobre si próprio, faz com que passemos a agir de modo inconsciente para “agradá-los” e “sermos aceitos”, atraindo para nós, exatamente o que eles acreditavam que iria acontecer.

E assim comecei novamente a enviar vários currículos pelo site até que uma farmácia de uma grande rede me chamou, e após acertarmos tudo, procurei novo local para morar. Mais uma vez, indo em direção oposta aos meus sonhos, e mesmo que a voz interior tentasse me alertar, dei vasão ao medo que comecei a alimentar já em Balneário Camboriú de não dar certo, de me ferrar e de ter que voltar para trás com o rabo entre as pernas, e isso tornou-se uma espécie de mantra, uma oração que foi ouvida. Devemos ter muito cuidado com nossas palavras, sejam elas em pensamento, verbal ou sentimental. Pois a palavra se concretiza, com certeza e assim começou a cascata de coisas erradas.

Logo que saí da farmácia, parei com o carro em frente a uma panificadora, para me despedir dos meus amigos da farmácia. Deixei meu carro com a minha, novamente, mudança para outra cidade, agora São José, e fui falar com eles. Começamos a conversar e me contaram que estavam nervosos pois tinham sido assaltados, com indivíduos armados e que por sorte, nada aconteceu.

sao jose
São José é uma cidade ao lado de Florianópolis, muito boa para se viver e trabalhar.

Após ficar chocada e prestar minhas condolências a eles, ouvimos um moço que me dizia:

– A senhora é proprietária do Peugeot prata? Na hora já pensei que fosse porque estava estacionada na frente da padaria, e disse:

– Sim, já estou saindo de lá!

– Não, é que eu bati com o caminhão no seu carro…

Pronto, era tudo que eu precisava. A porta do carro do lado do  motorista toda amassada, sem nem ter como abrir.

Eram 11h00 da manhã e ficamos ali até as 16h00 aguardando a PM, que dizia que estava a caminho, mas na verdade,não chegavam porque só tinham uma viatura, portanto não tinham como chegar no  local…

Após passar a tarde toda só com um pãozinho que comprei na panificadora antes de fechar, e depois de resolver com o moço a respeito do seguro, pois coitado, era funcionário da empresa, entrei pelo lado do carona e segui viagem com o carro amassado… Sim, estava acontecendo.

Cheguei em São José, já quase anoitecendo, com fome e com todas as coisas para despencar do carro. A minha sorte, foi que os proprietários da kitnet que eu havia alugado, moravam na casa da frente e me ajudaram a descarregar o carro e levar tudo lá para cima, pois a kit era no segundo andar… Escada.

Bom, já exausta, deixei tudo no meio do apartamento, fui buscar algo para comer e depois deixar o carro numa garagem que tive que alugar a parte, e após fazer malabarismos para sair dele, voltei para o novo lar para tomar um banho, comer desesperadamente algo e jogar meu corpinho na cama, para só então pensar em tudo que estava acontecendo…

Porque tinha me refazer rapidamente pois começaria a trabalhar em uma semana.

O que vem depois, acompanhe o próximo post!

Itapema, sem pensar… Cap. 07

Após deixar o “muquifo” e voltar para o hotel, precisava de um novo plano, pois na minha cabeça, Balneário Camboriú estava se tornando caro para o dinheiro que eu tinha levado, e ficar no  hotel por mais uma semana estava fora de contexto.

Claro que ainda tinha dinheiro que poderia me sustentar por mais um bom tempo, mas a minha mente educada para não acreditar em mim e consequentemente em meus sonhos falava mais alto e dessa forma, e por mais que eu tivesse feito tudo premeditado, guardado o dinheiro e calculado os imprevistos, a voz dentro de mim me dizia que eu não sabia o que estava fazendo e que era melhor eu me encaixar nos moldes predeterminados e fazer o que a maioria das pessoas fazem, e assim, deixei a ansiedade e o medo tomarem conta, o que me fez entrar imediatamente no site do CRF (conselho de classe de farmácia) para encontrar um emprego…

O medo é um sentimento paralisante, ele faz com que não nos lancemos de cabeça em nossos sonhos, faz com que nos fechemos e tomemos uma posição cômoda de “deixar que a vida escolha por nós”, ficamos em cima do muro…

Vi uma farmácia precisando de farmacêutico em Itapema, o que me fez ligar imediatamente para lá e marcar uma entrevista e na qual, lá fui eu com meu carro muambeiro. Conversamos e eu coloquei que havia chegado naquela semana e não tinha ainda residência fixa. O proprietário me levou então a um conhecido dele que morava a uma quadra dali, que me alugou um pequeno apartamento de fundos da sua casa, mas estando este sem móveis, fiquei de aguardar que ele comprasse alguma coisa básica para eu morar.

Não, não era nem de longe o que eu queria e nem o que havia planejado, eu estava indo para o lado TOTALMENTE OPOSTO ao meu sonho, que era primeiro me instalar em um local que me proporcionasse qualidade de vida, próximo a natureza, ao mar, iniciar minha pós graduação em acupuntura e somente depois, começar a trabalhar.

Fiquei ali por dois meses, onde me tornei amiga dessas duas famílias e as tenho no mais alto grau de consideração, mas não preciso nem dizer que estava infeliz, pois me deixei levar pelo medo e pela crença negativa no meu potencial.

Primeiro dia, conhecendo a meia praia
Primeiro dia, conhecendo a meia praia, em Itapema

Essa loucura de largar tudo para trás e por o pé na estrada, tem me ensinado muita coisa, uma delas é que se você não acredita em você mesmo, o vida conspira para confirmar sua crença…  Aprendi também, que ficar empoleirado em cima do muro feito uma coruja, virando a cabeça em 180º tentando encontrar uma saída fácil que nos livre da responsabilidade de arregaçar as mangas e lutar pelo que se quer, tem graves consequências.

Por um lado, eu queria viver o meu sonho, meu principal objetivo. Sabia que tinha competência para isso pois tenho uma profissão, aliás muitas, pois tenho mais que uma formação, portanto, tenho infinitas possibilidades de ganho, mas a voz interior da baixa auto-estima era gritante, portanto, atraí na minha vida todo tipo de situação, boas e ruins, como uma luz no escuro que atrai todo tipo de inseto…

Não, decididamente eu não ficaria parada esperando a morte chegar, eu lutaria com todas as minhas forças, e para isso, pedi a demissão e coloquei tudo no carro novamente…

Para onde? Próximo post…

O mundo dos remédios! Cap. 04a

Instalada na minha nova casa, uma suite 3x3m², eu dividia espaço com o pouco que restou da minha mobília. Minha cama, um armário para meus livros, uma mesa que tomava quase o quarto todo na qual eu colocava uma TV, meu computador e minha impressora.

Ali, após um período depressivo e relutante,  por incentivo das meninas do pensionato, arregacei as mangas, imprimi alguns currículos e saí em busca do meu primeiro trabalho em farmácia.

O fato de não ser o que eu queria (trabalhar em drogaria) associado à falta de prática e toda a sequência de situações digamos, de resultados insatisfatórios na minha vida, fazia minha ansiedade chegar a mil e a vontade de entrar num buraco e ficar lá escondida para o resto da vida, quase me tomava conta. Mas eu tinha que fazer alguma coisa, eu tinha que recomeçar.

Lembrei-me de uma conhecida de faculdade que havia comentado comigo que tinha uma farmácia nesta cidade e como o universo sempre conspira a nosso favor ( nós é que conspiramos contra nós mesmos…), acabei por entrar justamente na farmácia dela.

Acredito que nada é por acaso, e que situações que nos são apresentadas na vida, são escolas as quais se não aprendermos a lição, ficamos repetindo de ano, portanto atraímos exatamente aquilo que precisamos aprender, não no sentido de que temos que passar por aquilo, mas no sentido de ampliarmos nossa visão de mundo e sairmos do limite que nos aprisiona. Pois é, mais uma de minhas escolas estava lá, na farmácia da minha colega.

Entrei, conversamos e por ela me conhecer, resolveu me dar uma oportunidade. Na verdade, a oportunidade era para ela mesma, que precisava alguém para tocar a farmácia, já que ela tinha outra atividade na cidade vizinha. Mas de qualquer forma, “me aceitou” mesmo não tendo experiência.

Mesmo com medo e após ter uma baita diarreia nervosa, comecei o trabalho lá. As oito em ponto, conforme o combinado.

O ambiente era feio, com o mobiliário velho, paredes mal pintadas, tipo de negócio onde o proprietário não investe em melhorias, para “não despertar inveja do dinheiro que está entrando”, ou “pensarem que se está ganhando muito dinheiro” sabe como? Ou, empresarialmente falando, não investe na saúde do negócio e só quer mamar nele…

E tinha também um atendente que trabalhava lá um senhor que atendia o balcão e que segundo ela, tinha “muita experiência”… Pai, o que era aquele homem?

Comecei minha caminhada, que para mim foi mais uma via crucis, pois além da minha inexperiência, ainda tive que conviver com aquela criatura por longos dois meses…

O dito homem, porque trabalhava a muito tempo em balcão de drogaria, se achava o próprio médico. Vendia remédios como quem vende doce.  Era grosseiro e porco pois ia ao banheiro, não dava descarga, fazia xixi fora do vaso deixando aquele banheiro nojentamente fedido…  Saia de lá (vai saber se lavava as mãos, oque eu duvido…) e ia aplicar injeção… Fora o comportamento inconveniente com as meninas novinhas que apareciam por lá… E quando ia comer no escritório que virava cozinha? Ai… eu evitava entrar lá nessa hora, para não ter que presenciar aquela cena grotesca, de uma boca toda engordurada daquele frango ao alho e óleo (mais óleo do que alho) e aquela mastigação como um animal grunhindo (devo ser portadora de misofonia, pois para mim era uma verdadeira tortura ouvi-lo e vê-lo sugar e gorgolejar aquele frango) insistindo para comer com ele…   Ai Senhor, que escola foi aquela… E eu não podia falar nada, porque ela o tinha no mais alto grau de consideração.

Bom, os dias foram se passando, e como era de se esperar, minha paciência e espírito de sobrevivência emocional começou a falar mais alto, até que não suportei mais e falei com a dona da farmácia, a qual eu também já estava implicando, devido à sua ganância e cambalachos que fazia (e me obrigava a fazer) para vender remédios. Era ele ou eu, e ela acabou optando por mim, já que era mais difícil achar um farmacêutico para trabalhar lá e demitiu o homem.

Bom, até que dei umas respiradas aliviadas, pois pelo menos o banheiro ficou limpo. Mas fiquei  sozinha, para limpar chão, prateleiras, fazer documentação da vigilância sanitária, aplicar injeções, aferir pressão, fazer pedidos de compras etc. Isso das 8h da manhã até as 18h sem ter tempo nem para ir ao banheiro e sem horário de almoço. Ou seja, eu fazia dez horas seguidas sem ganhar uma marmitex sequer. Maaaaassss eu não tinha experiência, então me deixava explorar.

Fiquei nessa vida por dois meses, até que ela contratou um outro atendente e as coisas melhoraram um pouco, mas não muito, mas fui levando durante alguns meses, uns 7 ou 8 meses. Foi então que a ideia de sair de lá e por o pé na estrada começou a brotar dentro de mim novamente e comecei a pesquisar outros estados e pisos salariais…

Mas nem tudo foi ruim… aprendi muito e conheci muitas pessoas boas como muitos clientes!

droga acacia

Por hora é só, nos encontramos num próximo post!!

Beijinhos!